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domingo, 3 de abril de 2016

Carl Sagan

 
Ele foi o maior divulgador científico do século XX, e talvez, o maior de todos os tempos. Suas explicações simples onde revelava as descobertas da ciência encantavam dos mais leigos aos mais especialistas. Sua maestria com as palavras e sua oratória implacável, emocionavam dos mais jovens aos mais velhos.  Suas pesquisas sobre o sistema solar e a sua busca pela vida e inteligência extraterrestre, fizeram dele o astrônomo mais famoso do mundo. Seus numerosos livros e sua série Cosmos, inspiraram um punhado enorme de pessoas a divulgar, ensinar, estudar e fazer ciência (inclusive aquele que vos escreve).

 
Este foi Carl Sagan, um homem norte-americano que passou a infância observando as estrelas, e a vida adulta estudando-as em seu centro de pesquisas na NASA. De 1960 (data de seu doutorado em astronomia e astrofísica) , até 1996 (data de sua morte), Carl nos ensinou coisas maravilhosas, não só restritas ao campo científico, mas também lições humanas, de como conviver em paz e prosperar de forma agradável e otimista em uma civilização altamente desenvolvida tecnologicamente.

Aproveite então, e confira as 7 maiores lições que Carl Sagan ensinou para mim, para você e para todos nós:
1. Nosso planeta é pequeno e frágil

Este minúsculo ponto, distante 6.4 bilhões de quilômetros, no meio de um raio solar, é a Terra, o nosso lar. Cada ser humano sobre quem você ouviu falar e cada pessoa que já existiu, viveu ali, em um grão de pó suspenso num raio de sol.

Em 14 de fevereiro de 1990, quando completava seu objetivo primordial, o comando da missão Voyager 1 manobrou-a para que virasse e tirasse fotografias dos planetas que havia visitado. Em uma dessas imagens estava a Terra, a 6,4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando nosso insignificante planeta como um “pálido ponto azul”. Uma das primeiras imagens que nos brindou a certeza de que somos apenas poeira neste vasto Universo.
Antes disso, a famosa fotografia realizada pela missão Apollo 8, mostrando a Terra acima da Lua, já havia levado a espécie humana a olhar a Terra como apenas uma parte do Universo, mas ainda não permitia vislumbrar totalmente nossa insignificância. E foi exatamente isso que Sagan queria mostrar-nos ao pedir que a Voyager tirasse uma foto da Terra de bem longe. Essa foto única terminou inspirando Carl Sagan a escrever o livro “Pálido Ponto Azul”, em 1994, e também um discurso épico, em 11 de Maio de 1996, um marco para a história da ciência. 
Com essa imagem e com um espírito benevolente encarnado em sua mente, Carl nos fez reconhecer o quão especial é este nosso pequeno torrão de rocha e metal, um inofensivo planeta na grande e envolvente escuridão cósmica. Mesmo assim, ele é, até o momento, único em diversos aspectos:
  1. É o único mundo conhecido, até hoje, que alberga a vida.
  2. É o único conhecido que possui vida inteligente.
  3. É o único, até o presente momento, com belezas naturais acobertas de espécies diversas.
  4. E é o único berço de todos nós!
É nossa responsabilidade cuidar e estimar este pálido ponto azul, o único lar que, um dia, já conhecemos.

Foto tirada pela sonda  Curiosity. em 31 de janeiro deste ano, mostrando a Terra vista de Marte.
Foto tirada pela sonda Curiosity em 31 de janeiro deste ano, mostrando a Terra vista de Marte.

2. Nossa existência é nova, breve e preciosa

O Calendário Cósmico de Carl em 1980.
O Calendário Cósmico de Carl em 1980.

O calendário cósmico foi uma ideia incrivelmente genial de Carl, que o descreveu em seu livro “Os Dragões do Éden” de 1977. Mais de 30 anos depois esta ainda é uma das formas mais didáticas de demonstrar a história do Universo. Ele condensa os presumíveis 13,7 bilhões de anos de existência do Universo em um único ano e mostra-nos o quão breve, nova e preciosa é a nossa existência.
Apenas nas últimas horas do último dia do calendário cósmico, surge, nas savanas da África o Homo sapiens, às 22:30. Às 23:00 o homem aprende a fabricar utensílios de pedra, e às 23:46h, na China, inicia-se o uso do fogo. Quando o relógio do calendário marca 23:56, inicia-se a última Era Glacial, e três minutos depois, às 23:59, tem início a história da arte nas cavernas da Europa.
Com o aprimoramento da inteligência, os marcos da história humana deixam de acontecer em minutos para se tornarem questão de segundos cósmicos.  Às 23:59’20” é inventada a agricultura
e às 23:59’35”, ocorre a criação das primeiras cidades. O tempo passa e às 23:59’50” florescem as grandes dinastias no Egito e na Suméria. Um segundo depois ocorre a invenção do alfabeto, e, mais dois segundos adiante, o início da Idade do Bronze e, logo em seguida, da Idade do Ferro. Buda nasce em 23:59’55” e Jesus em 23:59’56”.
Neste mesmo segundo, aparece o surgimento da civilização grega e do Império Romano. A ciência acelera com Euclides (geometria), Arquimedes (física) e Ptolomeu (astronomia). Em 23:59’57” o Império Romano cai e as Cruzadas começam em 23:59’58”. No último segundo do ano cósmico, em 23:59’59”, a Europa vive o Renascimento e a Era dos Descobrimentos. Descartes cria o método experimental científico e Galileu usa seu telescópio para descobrir as manchas solares e as 4 grandes luas de Júpiter, abrindo caminho para a ciência e astronomia moderna.
Na meia-noite de 31 de dezembro ocorre o começo da cultura moderna, o desenvolvimento da Ciência e tecnologia, a Revolução Francesa, a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, a chegada do Apollo XI à Lua, a exploração planetária e a busca pela vida extraterrestre.
Tudo, absolutamente tudo, que está registrado em todos os livros de história do mundo, ocorreu no pequeno canto inferior direito do calendário cósmico. Todas as pessoas que já pisaram na Terra e todas as nossas memória boas ou ruins destas, viveram em um piscar de olhos nos últimos instantes de 31 de dezembro.
Mesmo assim, conseguimos através da persistência e do uso do método científico, a glória da alta tecnologia, conforto e comunicação atuais. A ciência é tão poderosa que em apenas 500 anos, um curto segundo no tempo cósmico, conseguiu fazer com que o homem desse passos em outro mundo, e explorasse limites além dos confins do sistema solar.
”Nós somos sortudos sortudos de viver neste tempo. O primeiro momento na historia humana, na qual, estamos de fato visitando outros mundos. 
Se não nos destruirmos poderemos, um dia, aventurar-nos até as estrelas.”
3. A exploração espacial é vital para o nosso futuro
Um dia, daqui a 5 bilhões de anos, acabará o estoque de hidrogênio no núcleo solar e a nossa estrela vai, então, se tornar uma gigante vermelha. Muito provavelmente a Terra será engolida pelo astro, e a única maneira de qualquer humano sair vivo desta catástrofe árida e cruel, é deixando o planeta o quanto antes e colonizando as fronteiras além do sistema solar.
Nossa existência ainda pode ser abreviada por objetos e raios oriundos do próprio Cosmos muito antes deste estágio solar acontecer, e, se não estivermos igualmente preparados para isto, nossa extinção será realizada com sucesso.

”O Céu nos chama” – Carl Sagan.

Conhecendo todos esses fatores, Carl incentivou durante toda a sua vida o investimento na exploração para o espaço, algo que segundo ele era vital para a nossa sobrevivência. Sagan teve um papel significativo no programa espacial americano desde o seu início.  Foi consultor e conselheiro da NASA desde os anos 1950, trabalhou com os astronautas do Projeto Apollo antes de suas idas à Lua, e chefiou os projetos da Mariner e Viking, pioneiras na exploração do sistema solar que permitiram obter importantes informações sobre Vênus e Marte.

A Sonda Mariner 2.

Sagan concebeu a ideia de incluir junto as naves espaciais que fossem abandonar o Sistema Solar, uma mensagem universal que pudesse ser potencialmente compreensível por qualquer inteligência extraterrestre que a encontrasse. E foi isso que aconteceu com as placas acopladas às sondas espaciais Pioneer 10, lançada em 1972, e Pioneer 11, lançada no ano seguinte. Sagan continuou refinando suas mensagens e em 1977 enviou a sua mensagem mais elaborada nos Discos de Ouro das naves Voyager. Estes carregam fotos da terra e suas formas de vida, uma gama de informações científicas, saudações faladas do povo e crianças cantando a música “Sons da terra”, que inclui os sons das baleias, um bebê chorando, ondas quebrando em uma costa do litoral e uma variedade de outras músicas.

O disco de ouro das naves Voyager 1 e 2

Talvez, num futuro bem distante, uma civilização possa ler esta mensagem descrita no disco e descobrir um pouco mais da vida, dos costumes, e das aparências dos habitantes de um planeta minúsculo chamado Terra, o único berço e, talvez, o primeiro de muitos lares dos humanos no Universo.  E tudo isso graças a Carl e sua equipe.
4. A nossa imaginação pode nos levar à qualquer lugar se nós a deixarmos 

A Nave da Imaginação de Carl Sagan.

A Nave da Imaginação criada por Carl na série Cosmos possibilitou a exploração audiovisual de mundos, estrelas e galáxias distantes. Sem limite de velocidade e indestrutível, ela nos mostrava o Universo na maior escala conhecida na época. Realmente, navegávamos pelas profundezas do oceano cósmico.
Contudo, podemos perceber que a utilização errada desta ferramenta pode nos levar a uma preocupante escalada da superstição e da pseudociência na sociedade. Carl deixava claro que, para usarmos nossa grande imaginação com sabedoria e inteligência, deveríamos nos prender à razão e ao ceticismo. Novas ideias deveriam sobreviver aos mais rigorosos padrões de evidência e escrutínio, para serem aceitas como verdade. Se não passarem após estes rigorosos métodos de revisão e avaliação, é bem provável que devemos descartá-las.
Desde os mais remotos e antigos tempos de nossa história, usamos a imaginação para explicar o mundo a nossa volta com mitologias, cultos e deuses. Éramos ignorantes com relação ao desconhecido, e é compreensível termos procurado as respostas para nossas perguntas através destas fantasias. Porém, com o avanço do estudo e compreensão da natureza pelo homem, estas ilusões tornam-se quase sem utilidade.
Hoje, o entendimento do Universo pode se tornar possível através do pensamento crítico e da pesquisa. Devemos saber que o Universo é indiferente aos nossos sentimentos e ações. Não devemos acreditar em algo só por que achamos bonito ou reconfortante. A imaginação, o sonho e a especulação, devem ser usados da maneira mais cuidadosa possível, para não acreditarmos em desilusões ou mesmo perder a coesão de nossas ideias.
No passado, sonhávamos em conhecer outros mundos, e hoje conquistamos esta meta com sucesso.  A imaginação muitas vezes pode nos conduzir a realidades que nunca existiram ou existirão, mas sem ela nunca criaremos objetivos. Se a usarmos com cautela, racionalidade e questionamento, ela pode nos levar à qualquer lugar e à qualquer parte de todo o conhecimento cósmico. A nave de Carl poderá, enfim, se tornar uma incrível realidade.

A Nave da Imaginação idealizada por Carl, em 2014, com o comando de Neil DeGrasse Tyson.

5. É importante ensinar e inspirar as crianças
Há mais de trinta anos, estreava na TV um documentário diferente de tudo que já se havia visto em termos de divulgação científica. Mais do que isso, ele popularizou o formato do divulgador científico, removendo o estereótipo do cientista de jaleco enfiado num laboratório e nos apresentando a um homem de fala suave e cabelo engraçado, que possuía uma paixão ímpar pela ciência e uma grande vontade de compartilhar conosco as maravilhas do universo, da natureza e de nós mesmos, que não percebemos por estarmos ocupados demais com outras coisas.
Cosmos foi a obra-prima de Carl, a série que encantou uma geração de 500 milhões de pessoas no mundo todo. Mais do que um astrônomo, Sagan era um contador de histórias e um educador. Diferente de muitos cientistas da época que não sabiam falar em outra língua que não a técnica, ele se preocupava em informar e educar o maior número de pessoas possível. Ele transformava as teorias mais complexas em contos tão simples que uma criança era capaz de entender.
Não surpreende o fato de que a série foi responsável por despertar a curiosidade em muitos pequenos que assistiram a série e boa parte deles não esconde que perseguiu a vida acadêmica influenciado por Sagan. Ele era o que todo educador gostaria ou deveria ser: ao falar a linguagem comum ele tirou o véu da pesquisa científica e atraiu muitos jovens a descobrirem por si mesmos os segredos do Universo.
6. Devemos olhar para as estrelas, mas cuidar da Terra
Carl Sagan foi, sem dúvida, um grande cientista com uma brilhante carreira acadêmica. Mas ele foi mais além do que muitos dos seus colegas acadêmicos contemporâneos. Ele foi um cientista com uma incrível sensibilidade para questões sociais, éticas e políticas que raras vezes pôde ser observada em outros cientistas.
ABAAABgtsAB-0Em muitos dos seus livros, Sagan buscou alertar enfaticamente sobre o risco que significava o aquecimento global e a destruição da natureza. Foi um implacável crítico do desenvolvimento das bombas nucleares e do programa Guerra nas Estrelas, defendendo a importância da discussão ética acerca do desenvolvimento científico e tecnológico.
Diante daquela que ele considerava uma das maiores ameaças para o futuro da humanidade, a crise ambiental, Sagan reconheceu prontamente nas religiões uma parceria necessária. A despeito de qualquer reserva que tivesse, ele soube humildemente liderar um pedido de cooperação com as principais instituições religiosas da época, tendo o apoio quase unânime das mesmas na busca pela preservação ambiental. Eu penso que é deste tipo de postura humanista, agregadora e comunitária, voltada para causas que unam as pessoas, que o mundo necessita cada vez mais – não só de outros cientistas, mas de políticos, religiosos e autoridades.

Carl Sagan alertava os perigos do efeito estufa para a vida na Terra, presentes em grande escala no planeta Vênus (foto), onde as temperaturas atingem a marca de 460 C°.

7.  Devemos ser sempre mais amáveis uns com os outros
A última postura admirável de Sagan que vale a pena destacar por aqui, foi a sua imensa preocupação não só com a razão e a ciência, mas com a humanidade, o convívio entre as pessoas e o futuro da nossa espécie. Como descrevi em item anterior, Sagan demonstrou em episódios marcantes a humildade e diplomacia que conquistou tantos admiradores e aliados ao redor do mundo. Carl nunca deixou de advogar a necessidade de tolerância e respeito, sempre com máxima elegância, mesmo quando violentamente atacado em entrevistas onde expunha suas ideias.
Ele ainda escreveu em seu livro Bilhões e Bilhões, que somos todos primos, ilustrando o fato de que podemos traçar um ancestral comum entre quaisquer duas pessoas que vivam hoje em dia. Mas não somos primos apenas de seres humanos: a evolução nos permitiu vislumbrar a complexa árvore da vida, na qual o ser humano é um de vários outros ramos.
Além disso, a pesquisa em biologia nos permitiu entender que a diferença de cor na pele humana corresponde a quantidades variáveis de compostos genericamente chamados de melanina, que não determinam quem somos ou quais as nossas capacidades, assim como a cor do nosso cabelo ou dos nossos olhos também não nos informam sobre isso.
Os seres humanos fazem parte de um ramo muito recente na história da vida na Terra e possuem os mesmos constituintes químicos e fisiológicos básicos, sejam japoneses ou africanos, heterossexuais ou homossexuais, homens ou mulheres. A ciência tem repetidamente encontrado em seus resultados que tudo está intimamente conectado, que somos todos interdependentes, de longínquas origens comuns e mais parecidos do que imaginávamos.
Como foi eternizado por Carl na série Cosmos, somos todos feitos de poeira estelar. Mais do que isso, estamos conectados a todas as estrelas, planetas, luas e asteroides, e, apesar de sermos tão minúsculos nessa escala, somos unidos por este laço que nos remete à infância do nosso universo.
‘‘Para criaturas tão pequenas como nós, a imensidão só é tolerável por meio do amor’’.
Carl-Sagan
Fontes e Referências Bibliográficas:
Filmes e vídeos recomendados:
Texto inspirado por: http://goo.gl/QQO42i / http://goo.gl/9zVzsw
Texto organizado por: Ruan Silva

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