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sexta-feira, 4 de março de 2016

Porque a Amazônia é uma panela de pressão? (Convecção Térmica)


Por causa das chuvas de convecção ou precipitação covectivas que ocorrem na região.
A Bacia Amazônica é um dos três centros quase permanentes de intensa convecção acoplada à zona do cavado equatorial. Ela exerce um papel fundamental no funcionamento do clima global. 
As florestas da Amazônia desempenham um papel crítico na regulação do clima regional e global. Por meio de intensa evapotranspiração, as florestas tropicais bombeiam calor latente à atmosfera para equilibrar o forte calor radiativo à superfície. A forte e extensiva convecção tropical sobre o continente durante o verão do Hemisfério Sul transporta o calor latente para a alta troposfera e o distribui às zonas temperadas. 
Chuva de convecção no Vale do Rio Purus, Amazonas.
Ao fazer isso, floresta e convecção, juntas, resfriam a Amazônia, ao mesmo tempo em que se torna uma intensa fonte troposférica de calor para a circulação atmosférica global. Desse modo, a liberação de calor latente é uma grande fonte de calor na região e é responsável pelas características da circulação regional do verão austral [Silva Dias et al., 1987]; ela também pode gerar anomalias significativas na circulação dos Hemisférios Norte e Sul como padrões de teleconexão [Grimm e silva Dias, 1995]. 
As complexas interações entre variáveis climáticas na Bacia Amazônica têm implicações importantes para a potencial mudança do clima, em níveis local e global. Dado que a Amazônia é uma região com dados esparsos, as variáveis climáticas são insuficientemente quantificadas; incertezas significativas permanecem no entendimento dos diferentes processos subjacentes aos mecanismos dinâmicos do clima e sua variabilidade em uma ampla variação de escalas temporais e espaciais.
 A convecção tropical é a principal característica do clima da Bacia Amazônica. Ela é regulada principalmente por características atmosféricas em grande escala, inclusive pela circulação de Hadley e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), a circulação de Walker, a oscilação intrassazonal de 40 a 60 dias, e ondas atmosféricas, e também por processos meteorológicos como a penetração de frentes frias extratropicais [Santos de Oliveira e Nobre, 1986]. Além disso, a importância da retroalimentação da superfície terrestre-atmosfera sobre a hidroclimatologia amazônica não pode ser superestimada. Padrões regionais de precipitação dependem grandemente dos balanços hídricos e da energia à superfície, impulsionados pelos ciclos sazonais e diurnos de energia solar que, por sua vez, modulam a reciclagem de precipitação que responde por aproximadamente 25 – 30% da precipitação na Amazônia [Eltahir e Bras, 1996]. 
O aviador Gérard Moss, que passou um ano e sete meses sobrevoando o céu do país atrás dos “rios voadores” da Amazônia, nuvens com potencial de precipitação que influenciam nas chuvas do sudeste e sul do Brasil,terminou sua viagem. O resultado, apresentado hoje (18), em São Paulo, confirmou o que ele suspeitava: a Floresta Amazônica exerce grande influência nos ciclos pluviais das principais regiões que movimentam a economia do país.
Importantes papéis são também desempenhados pela temperatura da superfície do mar (TSM) do Oceano Atlântico tropical [Dickinson, 1987] na parte leste da bacia e pela forçante dos Andes, ao longo de sua parte ocidental. Duas das características mais distintas da circulação atmosférica de alto nível no verão do Hemisfério Sul sobre a América do Sul tropical são o bem definido anticiclone centrado sobre a Bolívia, a “Alta da Bolívia” [Kreuels et al., 1975; Virji, 1981] e um cavado próximo à costa do nordeste do Brasil [Kousky e Gan, 1981]. 
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é outra importante característica da circulação de verão da região da América do Sul. É uma zona de convergência longa e ampla, que segue a orientação noroeste-sudeste a partir da Amazônia para os subtrópicos próximos à costa sudeste do Brasil, projetando-se sobre o Oceano Atlântico Sul adjacente [Kodama, 1992, 1993]. Na baixa troposfera, os ventos alísios oriundos do Atlântico equatorial penetram na Amazônia e então se movem em sentido anti-horário para o leste da Cordilheira dos Andes em direção ao sul e sudeste a 15°S, onde o fluxo torna-se então ciclônico nas partes centrais do continente formando uma baixa próxima a 20°S. Todas essas características da circulação observada sobre a América do Sul tropical e subtropical durante o verão austral formam a Monção de Verão da América do Sul (MVAS). Muitos desses traços que dominam a circulação geral são reconhecidos como características típicas de monção [Zhou e Lau, 1998; Vera et al., 2006]. 
As características principais da MVAS são mais bem desenvolvidas durante os meses de verão, de dezembro a fevereiro, e incluem um gradiente de temperatura terrestre e oceânica em grande escala, baixa pressão sobre o interior do continente (Baixo Chaco) e alta pressão (Alta da Bolívia) com circulação anticiclônica em altitude, uma célula de revolvimento vertical com um braço crescente sobre o interior do continente e movimento descendente sobre o oceano, e intenso influxo de umidade para o continente em baixos níveis responsável por fortes mudanças na precipitação sazonal, bem como um efluxo da região amazônica para a Bacia La Plata, referida como o jato em baixos níveis sul americano ao leste dos Andes. [Marengo et al., 2004].
https://daac.ornl.gov/LBA/lbaconferencia/amazonia_global_change/10_Caracteristicas_Nobre.pdf

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