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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Calor: Um dos Maiores Inimigos Do Nosso Organismo



calor extremo provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e diminui o retorno do sangue ao coração, que precisa bater mais rápido para compensar a “falha” e manter o organismo funcionando. Também ocorrem perdas de líquidos e minerais, que vão embora por meio do suor, provocando a necessidade de reposição hídrica.


Conheça os mecanismos usado pelos músculos, sangue e suor para dissipar a alta temperatura.






Todos nós sabemos que o corpo humano é uma máquina feita para gerar movimento. E um dos maiores inimigos para o bom funcionamento dessa complexa estrutura é o calor.
Nosso organismo tem estratégias para manter sua temperatura próxima dos 37ºC e, para enfrentar o calor durante o tempo de esforço, os órgãos interagem com a temperatura externa, a umidade do ar e a velocidade do vento.
Nesses acordos, as razões para tanto esquenta (termogênese) e esfria (termodispersão, sudorese) andam lado a lado, num processo chamado termorregulação.

É assim, por exemplo, que músculos, sangue e suor trabalham produzindo e liberando calor para tentar manter sua performance, trocando temperatura com o ambiente através de três processos: condução (aceleração da corrente sanguínea), irradiação (vasodilatação periférica) e transpiração (sudorese para provocar resfriamento por evaporação na pele).
O calor, além de minar todas as forças atléticas e de resistência, é mais perigoso para o corpo do que o frio: Porque, 5ºC acima da normalidade corporal “cozinham” as proteínas celulares. No limite extremo dessa temperatura, o cérebro é o órgão mais afetado e acontecem cãibras, náuseas, vômito, suor, tontura, visão turva e desmaio, até que em alguns casos ocorra uma falência cardíaca.

Calor fatal derrete asfalto na Índia

A onda de calor intenso que atinge a Índia há semanas já matou mais de 2.200 pessoas - anunciaram as autoridades locais neste domingo (31), enquanto chuvas esparsas dão um ligeiro alívio para a população.


Os mecanismos de regulação calórica interna do corpo humano tratam de manter no corpo uma temperatura constante de 37°C. A pele e os tecidos subcutâneos são mantidos em uma temperatura constante pelo sangue circulante. A temperatura do sangue se deve ao calor proveniente da energia liberada pelas células quando estas queimam o alimento (um processo que requer um suprimento constante de alimento e oxigênio). O excesso é eliminado, sendo normal que o corpo perca constantemente calor através dos pulmões e da pele.

No caso de exposição ao calor ambiental excessivo, o organismo produz mais calor e utiliza esses mecanismos de regulação para perder mais calor e manter constante a sua temperatura. Em primeiro lugar, se produz dilatação dos vasos sanguíneos da pele e dos tecido subcutâneos e se desvia parte importante do fluxo sanguíneo para essas regiões superficiais. Há um aumento concomitante do volume sanguíneo circulante devido a contração do baço e diluição do sangue circulante com líquidos extraídos de outros tecidos. Esses ajustes circulatórios favorecem o transporte de calor do centro do organismo até a superfície. Simultaneamente, se ativam as glândulas sudoríporas, derramando líquido sobre a pele (suor) para eliminar calor por evaporação.
Onda de calor no Paquistão causa mais de 100 mortos
Porém, na outra ponta do termômetro, o perigo começa ao baixar dos 35ºC. Pois, o frio faz o metabolismo diminuir, mas não é tão fatal quanto o calor, já que é preciso 20ºC no corpo para acontecer uma parada cardíaca irreversível.
Entendendo um pouco desses mecanismos:
Ar
Quanto mais alta a temperatura climática e a umidade do ar, mais rápido o corpo vai processar suas estratégias de refrigeração e mais rápido haverá queda de rendimento. Superaquecimento (38ºC) pode gerar fadiga extrema.
Sangue
A pressão arterial alterada recebe calor da atividade física, causa vasodilatação periférica, menos oxigenação dos músculos e a temperatura corporal pode chegar próxima do estado febril (38ºC). Ocorre a perda de sódio no plasma sanguíneo (hiponatremia), que prejudica a absorção de glicose, abaixa a pressão, gera hipoglicemia de esforço e interrompe a atividade.
Músculo
Cerca de 2/3 da energia para gerar a força mecânica dos músculos é desperdiçada na forma de calor. Os exercícios elevam e estabilizam a temperatura corporal a um limite (37,5ºC), somada à temperatura ambiente.
Suor
Com 50% do peso corporal em fluidos, é comum perder até 1,8 kg de líquidos em uma hora de corrida. Porém, a perda excessiva de potássio eleva os batimentos cardíacos até a arritmia e aumenta a vasodilatação.
Essa redução prejudica a saúde e a performance, e pior, ao lutar contra o calor, as glândulas sudoríparas podem desidratar ainda mais um organismo se não houver reposição imediata.
Ar
A combinação de horários, vento e umidade do ar auxiliam no trabalho de redução da temperatura corporal. Ao amanhecer ou anoitecer, com ventos leves e de 50% a 60% de umidade atmosférica, são condições ideais para favorecer o corpo humano na corrida.
Sangue
O sistema circulatório superaquecido desvia o sangue para a pele, deixando-a quente e avermelhada. Essa vasodilatação periférica dissipa o calor excessivo no ambiente para abaixar a temperatura corporal. O condicionamento de sudorese acompanha o cardíaco, evoluindo para reduzir o trabalho e a perda de rendimento.
Músculo
O intenso trabalho muscular gera 20% mais de calor corporal e ativa os sistemas de refrigeração do corpo. O calor irradiado para o sangue é distribuído aos órgãos e dissipado no organismo. Os próprios músculos auxiliam o bombeamento do coração.
Suor
O suor é liberado sobre toda a superfície da pele. A refrescante perda de calor do corpo se dá pela evaporação no ambiente, mais eficiente quanto menor for a umidade relativa do ar.
A transpiração de líquidos se inicia a partir dos 37,4ºC e ocorre quando o calor gerado pelos músculos ultrapassa sua capacidade de dissipação.}
Onda de calor na Europa

Termômetro Humano
42ºC: Não há mais garantias de que a vida possa ser salva. Pois, a ausência de suor indica desidratação grave e estado de coma.
41ºC: Último aviso de grande perigo. O metabolismo fica seriamente comprometido, a ponto de alterar as proteínas celulares.
40ºC: Início da hipertermia. Ocorre náusea, vômito e falta de coordenação pela perda de sais minerais. A interrupção do suor indica forte desidratação.
38ºC: Estado da febre. Forte sudorese com presença de espasmos musculares e sensível exaustão. Há queda de batimentos cardíacos e até desmaio.
36ºC a 37,5ºC: Faixa de temperatura normal do corpo. Inclui a menor (dormindo) e a maior possibilidade (exercício).
35ºC: Início da hipotermia. Perda de coordenação motora e racional. Acontecem calafrios, sensação de cansaço e forte apatia, incluindo recusa ao socorro.
30ºC: O coração quase para e os batimentos caem para 1 ou 2 BPM. O corpo fica em completa desorientação e perde o raciocínio por falta de sangue no cérebro.
20ºC: O corpo interrompe todas as suas funções por causa da diminuição do metabolismo, junto à temperatura, até cessar as atividades do coração e do cérebro.

 Rio 50 graus

Para minimizar efeitos do calor sobre nosso organismo é importante adorar alguns cuidados na exposição contínua, devendo observar as seguintes recomendações:

- Após algum tempo de trabalho em ambientes com incidência solar ou em ambientes confinados sem ventilação em épocas de muito calor, procurar descansar alguns minutos em locais mais ventilados e frescos.

- Evite bebidas alcoólicas nas noites que antecedem uma jornada de trabalho em locais quentes. O álcool ingerido faz com que aumente ainda mais a necessidade de ingestão de água já deficiente nestes casos.

- Procure beber água o suficiente apenas para suprir suas necessidades fisiológicas.

- Procure ingerir algumas pitadas de sal de cozinha, contudo sem excesso, pois o sal provoca mais sede.

- Procure ir para o trabalho com as roupas limpas. As roupas sujas são menos ventiladas em função do suor, sujeira e outros produtos presentes.

- Não fique sem camisa sob um sol intenso. As radiações ultravioletas provenientes do sol provocam lesões na pele no período de 9 horas da manhã as 16 horas da tarde, podendo estas lesões provocarem o câncer de pele.

(Fonte: Raul Santo de Oliveira é fisiologista e professor doutor do Cemaf (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte) da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp)
(Matéria retirada da Revista O2 nº103, Novembro de 2011)

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