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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sou Professora Sil Mara

Sou professora
Escrevo este texto a pedido de uma colega de trabalho, que compartilha o dia-a-dia de ser professora e a preocupação com a educação. Hoje, dia dos professores, é um momento em que recebemos mensagens e visualizamos os mais diferentes posts nas redes sociais em referência à nossa profissão.
Uma das mensagens que visualizei logo cedo afirmava: “Nós, professores, nada temos a comemorar”. De fato, estamos vivenciando um momento difícil. Ao mesmo tempo em que se fala em Pátria Educadora, começamos o ano com cortes de verbas na educação, que se revertem em maior precarização em todos os níveis do ensino.
No estado de São Paulo, nos deparamos com a superlotação das salas de aula, falta de materiais nas escolas, dentre outros problemas. Fizemos uma greve de 92 dias. Utilizamos um instrumento legítimo de luta como trabalhadores e trabalhadoras da educação. No entanto, nossa greve terminou em junho, já estamos em outubro e o governo estadual não anunciou nenhum reajuste salarial.
Tornando ainda mais preocupante a situação da educação, no fim de setembro soubemos pela mídia da reestruturação das escolas estaduais, que o governo pretende concretizar já em 2016. Como consequência desse plano, poderá ocorrer o fechamento de escolas, a perda da liberdade do aluno de escolher a sua escola, a superlotação ainda maior das salas de aula e a diminuição do quadro de docentes, o que afeta diretamente nossos colegas professores temporários.
Frente a tudo isso, é mesmo difícil encontrar motivos para comemorar. Temos muito mais motivos para lutar a fim de transformar a situação vigente e os ataques que estão ocorrendo neste momento. Sei que depois de anos de profissão, algumas pessoas consideram difícil qualquer possibilidade de mudança. Mas a resignação, o que pode nos oferecer?
Vem à mente, então, o exemplo de tantos professores e professoras, que mesmo após muito tempo de profissão, seguem firmes dedicando-se à sua atividade profissional com seriedade e, ao mesmo tempo, entendendo que é necessário posicionar-se e atuar frente aos ataques à educação. Penso, então: se é possível ter algum motivo para celebrar esse dia, ele está na insistência em resistir. Posso celebrar o fato de conviver com alguns professores e professoras que me inspiram a seguir, escolhendo o caminho da reflexão e da atuação na realidade. Estamos defendendo nossa profissão, estamos defendendo a qualidade da educação para os filhos e filhas da classe trabalhadora, que ocupam os bancos das escolas públicas, como eu ocupei há anos atrás.
Hoje, posso dizer que tenho mais um motivo para celebrar o dia dos professores. As estudantes, os estudantes estão vivos. Nos últimos dias, em diversos momentos me arrepiei ao ouvir alunas e alunos defendendo o seu direito a uma educação de qualidade e à escolha da escola em que desejam estudar, contra o fechamento das escolas e a superlotação das salas de aula. Eles trazem um novo fôlego, um exemplo que demonstra que nosso caminho passa longe de assistir a tudo paralisados. Somos sujeitos, estamos em movimento. Essa é a mensagem que consigo captar e tento transmitir.
A precarização da educação pública e a desvalorização da nossa profissão em muitos momentos nos tiram energias. Cotidianamente, ouço a pergunta: “Se pudesse voltar no tempo, escolheria outra profissão?”. Minha resposta mantém-se a mesma: “Não, apesar de tudo”. Hoje, reafirmo: apesar do que os governos fazem com a educação, ainda estamos resistindo. Continuo acreditando no compromisso de contribuir para que a educação seja direito de todos e todas, no sentido pleno e não somente sob a formalidade dos dados estatísticos que muitas vezes não revelam tantas problemáticas com as quais nos deparamos no cotidiano da nossa profissão.
Hoje, 15 de outubro de 2015, apesar de tudo, seguimos de pé. E isso só é possível porque posso dar as mãos aos meus colegas de profissão que se mantêm na luta por transformação e – que belo acontecimento – aos estudantes e às estudantes, que se levantam pelo seu direito à educação.

Silmara Silva, professora de Sociologia na Rede Estadual de SP e professora de Educação Infantil na Rede Municipal de SP

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