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O Blogger "Somos Físicos" aborda assuntos diversos relacionados a Ciência, Cultura e lazer.Todas as postagens são pesquisas e coletadas na internet.

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sexta-feira, 27 de março de 2015

Um Louco Amor VII - Maconha ( Ciencia e Vida)



Bob Marley, Jamaica e Maconha. Associação inevitável.
Em julho de 1977 Marley descobriu uma ferida no dedão de seu pé direito, que ele pensou ter sofrido durante uma partida de futebol. A ferida não cicatrizou, e sua unha posteriormente caiu; foi então que o diagnóstico correto foi feito. Marley na verdade sofria de uma espécie de câncer de pele, chamado melanoma maligno, que se desenvolveu sob sua unha. Os médicos o aconselharam a ter o dedo amputado, mas Marley recusou-se devido aos princípios rastafaris que diziam que o corpo e um templo que não deve ser violado, fingindo ter o poder de curar. Ele também estava preocupado com o impacto da operação em sua dança; a amputação afetaria profundamente sua carreira no momento em que se encontrava no auge (na verdade, a preocupação de Bob Marley era quanto à amputação de qualquer parte de seu corpo, seja o dedo do pé ou suas rastas. Para os seguidores dessa religião/filosofia, não se deve cortar, aparar ou amputar qualquer parte do corpo). Marley então passou por uma cirurgia para tentar extirpar as células cancerígenas. sua doença foi revelada para seu público.
O câncer espalhou-se para seu cérebro, pulmão e estômago. Durante uma turnê no verão de 1980, numa tentativa de se consolidar no mercado norte-americano, Marley desmaiou enquanto corria no Central Park de Nova Iorque. Isso aconteceu depois de uma série de shows na Inglaterra e no Madison Square Garden, mas a doença o impediu de continuar com a grande turnê agendada. Marley procurou ajuda, e decidiu ir para Munique para tratar-se com o controverso especialista Josef Issels por vários meses, não obtendo resultados.
Um mês antes de sua morte, Bob Marley foi premiado com a Ordem ao Mérito Jamaicana. Ele queria passar seus últimos dias em sua terra natal, mas a doença se agravou durante o vôo de volta da Alemanha e Marley teve de ser internado em Miami. Ele faleceu no hospital Cedars of Lebanon no dia 11 de maio de 1981 em Miami, Flórida, aos 36 anos. Seu funeral na Jamaica foi uma cerimônia digna de chefes de estado, com elementos combinados da Igreja Ortodoxa da Etiópia e do Rastafarianismo. Ele foi sepultado em uma capela em Nine Mile, perto de sua cidade natal, junto com sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha.

Agora alguém me explica como a planta cura o cancer?

Surge uma nova moeda

Uma cultura introduzida pela mídia
Na música a maconha é assunto de discussões há anos. Na década de 1970, Peter Tosh já cantava "legalize it, don't criticize it" (em tradução livre, "legalize, não critique"). Bob Marley, por sua vez, dizia na música "Kaya" (uma das incontáveis gírias para a droga): "Well, I feel so high / I even touch the sky above the fallin' rain" ("É, eu me sinto tão alto / Até toco o céu por sobre a chuva que cai").
Beatles
Os jamaicanos não foram os únicos. Os Beatles fizeram canções sobre o tóxico em "Got to Get You Into my Life" (composta após Paul McCartney experimentar a droga pela primeira vez) e os Rolling Stones em "Rip this Joint". O Black Sabbath de Ozzy Osbourne também fez uma homenagem bastante explícita em "Sweet Leaf", que começa com o som de uma tosse.
Roberto e Erasmo
No Brasil não foi diferente: até a dupla de compositores mais famosa do país, Roberto e Erasmo Carlos, usou a maconha como fonte de inspiração. "O amor vem como nuvem de fumaça", escreveram os dois em "Maria Joana" (clara referência ao outro apelido da droga, marijuana). Mas só Erasmo gravou.
Baby e Pepeu
Outras composições nacionais sobre a maconha são "Malandragem Dá um Tempo", de Bezerra da Silva ("Vou apertar, mas não vou acender agora") e "O Mal É o que Sai da Boca do Homem", de Pepeu Gomes ("Você pode fumar baseado / Baseado em que você pode fazer quase tudo"). Além, é claro, de praticamente toda a discografia do Planet Hemp, banda que revelou Marcelo D2.
Os hippies foram os precursores na inserção da maconha nos meios de comunicação. Uma das primeiras aparições da droga ocorreu nos quadrinhos, em 1968, com o lançamento da primeira história dos Fabulous Furry Freak Brothers, trio de maconheiros inventado pelo cartunista Gilbert Shelton - que esteve no Brasil durante a Flip 2010.
A influência dos personagens serviu de inspiração para o cartunista brasileiro Angeli criar Wood & Stock, a dupla de amigos hippies que, após décadas de abuso de drogas e álcool, passou a fumar orégano escondida dos familiares.
As HQs também estimularam a dupla de humoristas Richard "Cheech" Marin e Tommy Chong a criarem os hippies Cheech & Chong, que nos anos 1970 e 80 lançaram álbuns e protagonizaram filmes em que pregavam o amor livre e o consumo da cannabis.
O sucesso de ambos foi tanto que, antes de se separar, em 1987, o duo fez uma participação especial no longa-metragem "Depois de Horas", de Martin Scorsese. Posteriormente Tommy Chong interpretou o velho hippie Leo no seriado "That 70's Show" - que não deixou de ser uma versão do próprio Chong.
Nos anos 1990, o grande representante da classe foi o hippie Jeffrey Lebowski, mais conhecido como "The Dude" - ou "O Cara" -, papel de Jeff Bridges na comédia dos irmãos Coen "O Grande Lebowski", de 1998. Na trama, o velho hippie tenta solucionar um crime enquanto divide seu tempo em fumar maconha, jogar boliche e beber white russian - um drink que mistura vodca, licor de café e creme de leite.
No final da década, o cineasta Stanley Kubrick, autor de "Lolita" e "Laranja Mecânica", filmou uma discussão regada a maconha protagonizada pelos então casados Nicole Kidman e Tom Cruise no drama "De Olhos Bem Fechados". Na cena em questão, a personagem de Kidman monta um cigarro utilizando a erva e fuma junto com o marido.
Os anos 2000 foram marcados por uma nova leva de maconheiros nas telas. No lugar dos hippies, os estúdios colocaram pessoas comuns, como os jovens de classe média de "Segurando as Pontas" (2008) e a viúva falida que passa a cultivar maconha em "O Barato de Grace" (2000) - cuja mesma premissa foi utilizada anos mais tarde na série de TV "Weeds".
No cinema nacional a maconha rendeu ótimas cenas no sucesso "Tropa de Elite", de 2007, sendo a principal delas a apreensão feita pelo oficial do BOPE André Matias (papel de André Ramiro) na faculdade de direito em que estudava - denunciando a venda e o consumo da erva no ambiente acadêmico.
Maconha
A maconha, cujo nome científico é Cannabis sativa, é uma das drogas mais usadas no Brasil, por ser barata e de fácil acesso nos grandes centros urbanos. O modo mais utilizado para usá-la é fumando enrolado em um papel, ou então utilizando um cachimbo. O que traz os efeitos é uma substância muito poderosa chamada tetrahidrocanabinol (THC), que varia de quantidade, dependendo da forma como a maconha é produzida ou fumada.

Efeitos



Os efeitos, logo após fumar o cigarro de maconha, são (podem ser diferentes dependendo da quantidade de THC):

  • risos espontâneos, sem motivo algum
  • perda de noção do tempo, espaço, etc
  • perda de coordenação motora, equilíbrio, fala, etc
  • aceleramento do coração (taquicardia)
  • perda temporária de inteligência
  • fome, olhos vermelhos, e outras características                                        
  • O tempo do efeito depende do modo como a maconha é utilizada. Se for fumada, o THC vai rapidamente para o cérebro, e o efeito dura aproximadamente 5 horas. Se for ingerido, o efeito demora pra vir (cerca de 1 hora) mas dura aproximadamente 12 horas.                               
  • Quando a quantidade de THC for mais alta, podem-se somar os efeitos:


  • Os efeitos a longo prazo são muito mais danosos:
    Outros nomes da maconha: baseado, erva, marola, camarão, taba, fumo, beck, bagana, bagulho, cachimbo da paz, capim seco, erva maldita, etc.
  • Por que as pessoas usam Maconha?
  • Não podemos dizer que todos que fumam maconha querem sentir as mesmas coisas, mas alguns dos efeitos buscados podem ser: Tranqüilidade, pois muitos do que usam maconha se sentem mais calmos e relaxados; Diversão e descontração, a pessoa ri por qualquer motivo; Busca de um maior prazer sexual (isto não ocorre, na verdade); Maior sensibilidade ao som (ficar curtindo uma música por exemplo), Maior sensibilidade ao gosto (a famosa “larica”); Ficar”morgando”, que se caracteriza pela vontade de não fazer nada; Ficar “viajando” em algum objeto, pois a sensibilidade visual fica aumentada.
    Quantas pessoas usam maconha?
    Muita gente no mundo inteiro. Por exemplo em um levantamento de 1999 sobre uso de drogas na população do Estado de São Paulo mostrou que 6,4% já havia experimentado a maconha. Em quatro levantamentos de consumo entre os estudantes das 10 maiores capitais do Brasil revelou que 7,6% (em 1997) dos estudantes a haviam experimentado pelo menos uma vez.
    O que a maconha faz no corpo após uma dose (efeitos físicos agudos)?
    Os efeitos físicos agudos não são muitos: os olhos ficam ligeiramente avermelhados (hiperemia das conjuntiva ), a boca fica seca (xerostomia) e o coração dispara (os batimentos, de 60 a 80 por minuto, podem chegar a mais de 120).
    O que a maconha faz no corpo com o uso contínuo (efeitos físicos crônicos)?
    Os efeitos crônicos da maconha são mais graves. No homem o uso prolongado de maconha pode provocar uma diminuição da testosterona (hormônio que confere ao homem maior quantidade de músculos, a voz mais grossa, barba, também é responsável pela fabricação do espermatozóides). Na mulher pode trazer alterações hormonais chegando até a inibição da ovulação. O uso contínuo pode afetar também os pulmões (a fumaça é muito irritante), sendo comum os problemas respiratórios, principalmente a bronquite. Animais de laboratório expostos cronicamente à maconha passam a apresentar maior incidência de câncer do que animais que não tenham sofrido exposição à droga.
    O que a maconha faz com a mente após uma dose (efeitos psíquicos agudos)?
    Os efeitos psíquicos agudos dependerão da qualidade da maconha fumada e da sensibilidade de quem fuma. Para uma parte das pessoas, os feitos correspondem a uma sensação de calma e relaxamento, menos cansaço e vontade de rir. Para outras, ao contrário, os efeitos são desagradáveis: tremor, sudorese, sensação de angústia, medo de perder o controle mental (bad trip/ má viagem, bode).
    A percepção do tempo e do espaço ficam prejudicadas. Assim, uma pessoa ao dirigir após ter usado maconha, pode facilmente calcular errado na hora de fazer uma ultrapassagem, causando assim um acidente. Há também uma perda da memória.
    O que a maconha faz com a mente depois de um período de uso crônico (efeitos psíquicos crônicos)?
    Os efeitos psíquicos crônicos da maconha provocado pelo uso continuado, interferem na capacidade de aprendizagem e de memorização, podendo induzir a um estado de diminuição da motivação. Nesse caso, a pessoa não sente vontade de fazer mais nada, tudo parece ficar sem graça e sem importância. Há também provas científicas de que, se o usuário tem uma doença psíquica, mas que ainda está “sob controle”, ou já se manifesta, mas está controlada por medicamento, a maconha piora o quadro, pois ela pode anular o efeito do medicamento ou ser o “estopim” que faria a doença se manifestar
                                 A maconha faz mal sim                                          
    O atual liberalismo em torno do consumo da droga está em descompasso com as pesquisas médicas mais recentes. As sequelas cerebrais são duradouras, sobretudo quando o uso se dá na adolescência
    Hoje ainda, até o fim do dia, 1 milhão de brasileiros terão fumado maconha. A maioria dessas pessoas está plenamente convencida de que a droga não faz mal. Elas conseguem trabalhar, estudar, namorar, dirigir, ler um livro, cuidar dos filhos…
    A folha seca e as flores de Cannabis são consumidas agora com uma naturalidade tal que nem parece ser um comportamento definido como crime pela lei penal brasileira. O aroma penetrante inconfundível permeia o ar nas baladas, nas áreas de lazer dos condomínios fechados, nos carros, nas imediações das escolas.
    A maconha, que em outros tempos já foi chamada de “erva maldita”, agora ganhou uma aura inocente de produto orgânico e muitos de seus usuários acendem os “baseados” como se isso fosse parte de um ritual de comunhão com a natureza, uma militância espiritual de sintonia com o cosmo.
    Tolerância cada vez maior com o consumo
    Há uma gigantesca onda de tolerância com esse vício. Nos Estados Unidos, dezessete Estados já regulamentaram seu uso medicinal. No dia 6 passado, os Estados de Washington e Colorado realizaram plebiscitos sobre a legalização e o eleitorado aprovou. No Uruguai, o presidente José Mujica pretende estatizar a produção e a distribuição da droga.
    Em maio deste ano, no Brasil, sob o argumento do direito à liberdade de expressão, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a marcha da maconha – desde, é claro, que ela não fosse consumida pelos manifestantes.
    Em um de seus shows, em janeiro, Rita Lee causou tumulto ao interromper a apresentação em Sergipe para interpelar os policiais que tentavam reprimir o fumacê na plateia: “Este show é meu. Não é de vocês. Por que isso? Não pode ser por causa de um baseadinho. Cadê um baseadinho pra eu fumar aqui?”.
    Na contramão da liberalidade oficial, legal e até social com o uso da maconha, a ciência médica vem produzindo provas cada dia mais eloquentes de que a fumaça da maconha faz muito mal para a saúde do usuário crônico – quem fuma no mínimo um cigarro por semana durante um ano.
    Não faz menos mal do que álcool ou cigarro
    Fumar na adolescência, então, é um hábito que pode ter consequências funestas para o resto da vida da pessoa. Aqueles cartazes das marchas que afirmam que “maconha faz menos mal do que álcool e cigarro” são fruto de percepções disseminadas por usuários, e não o resultado de pesquisas científicas incontrastáveis.
    Maconha não faz menos mal do que álcool ou cigarro. Cada um desses vícios agride o organismo a sua maneira, mas, ao contrário do que ocorre com a maconha, ninguém sai em passeata defendendo o alcoolismo ou o tabagismo.
    Diz um dos mais respeitados estudiosos do assunto, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo: “Encarar o uso da maconha com leniência é uma tese equivocada, arcaica e perigosa”.

    Alguns dos argumentos para a legalização da maconha têm uma lógica perfeita apenas na aparência. Os defensores da legalização alegam que, vendida legalmente, a maconha também seria cultivada dentro da lei e industrializada. A oferta aumentaria e os preços cairiam. Isso tornaria inúteis os traficantes. Eles sumiriam do mapa, levando consigo todo o imenso colar de roubos, assassinatos e corrupção policial que a repressão à maconha provoca.
    Estudo acompanhou 1.000 voluntários por 25 anos
    O argumento não resiste ao mais simples teste de realidade embutido na pergunta: “Quem disse que traficante vende só maconha?”. Se a maconha fosse liberada, o tráfico de cocaína, heroína e crack continuaria e todos os problemas sociais decorrentes do poder desse submundo ficariam intactos. Acrescente-se à equação o fato de que a maconha efetivamente faz mal à saúde, e a lógica dos defensores de sua legalização evapora-se no ar ainda mais rapidamente.
    Um dos estudos mais impactantes e recentes sobre os males da maconha foi conduzido por treze reputadas instituições de pesquisa, entre elas as universidade Duke, nos Estados Unidos, e de Otago, na Nova Zelândia. Os pesquisadores acompanharam 1.000 voluntários durante 25 anos. Eles começaram a ser estudados aos 13 anos de idade.
    Porta de entrada para outras drogas -- "Fumei meu primeiro cigarro de maconha aos 19 anos, com um primo, por curiosidade juvenil. De imediato, senti um profundo relaxamento. Eu, que sempre fui muito agitada, adorei a sensação. Passei a fumar com frequência. Aos poucos, a maconha foi invadindo a minha existência. Eu vivia letárgica, mas achava tudo absolutamente normal. A maconha foi a porta de entrada para outras drogas. A certa altura, quis experimentar uma sensação mais forte. A maconha havia perdido a graça. Aos 27 anos, cheirei cocaína. Aos 35, mudei para o crack. Virei um rato. Passei por três internações e me salvei. Estou há onze anos sem usar drogas.", Vládia Ofenheim, 52 anos, comerciante (Foto: Alexandre Scheneider)
    Queda no desempenho intelectual, na memória, na concentração
    Um grupo era composto de fumantes regulares de maconha. Os integrantes do outro grupo não fumavam. Quando os grupos foram comparados, ficou evidente o dano à saúde dos adolescentes usuários de maconha que mantiveram o hábito até a idade adulta. Os fumantes tiveram uma queda significativa no desempenho intelectual.
    Na média, os consumidores crônicos de maconha ficavam 8 pontos abaixo dos não fumantes nos testes de Q.I. Os usuários de maconha saíram-se mal também nos testes de memória, concentração e raciocínio rápido.
    Os resultados mostram que é falaciosa a tese de que fumar maconha com frequência não compromete a cognição. Diz o psiquiatra Laranjeira: “Se o usuário crônico acha que está bem, a ciência mostra que ele poderia estar muito melhor sem a droga. A maconha priva a pessoa de atingir todo o potencial de sua capacidade”.
    O cineasta paulistano Álvaro Zunckeller, de 32 anos, fumou maconha durante duas décadas, desde a adolescência, com os amigos, na roda do bar e na saída da escola. No início, era um cigarro a cada duas semanas. Chegou a três por dia. “Era um viciado, mas para a maioria das pessoas eu era um sujeito sossegado, apenas um pouco desatento”, conta ele.
    Zunckeller é um caso típico da brasa dormida dos danos da maconha ao cérebro confundidos com um comportamento ameno e um estilo de vida mais contemplativo.
    Uma vida normal na aparência -- "Fumei maconha durante vinte anos. Experimentei na adolescência e adorei. Em três anos, passei de um cigarro a cada duas semanas para três baseados por dia. Foram vinte anos de perdas. Perdi um emprego, perdi duas namoradas e me formei com dez anos de atraso. Na faculdade, só pensava na hora de ir para o barzinho fumar maconha. Quando estava em casa, passava o dia dormindo. Era um viciado, mas levava uma vida relativamente normal. Esse é o grande perigo da maconha. Há sete meses comecei um tratamento clínico contra a dependência. Desde então, nunca mais fumei. Hoje, tenho dificuldade de me concentrar na leitura. Não consigo ler mais de três, quatro páginas. Sinto saudade da sensação que causa a maconha, claro. Mas não quero mais que ela domine a minha vida.", Álvaro Zunckeller, 32 anos, cineasta (Foto: Alexandre Schneider)
    Apenas 10% dos pacientes internados em clínicas de recuperação de dependentes foram parar ali para tentar se livrar do vício da maconha. Ainda assim, muitos dos usuários da droga nessas clínicas foram diagnosticados com esquizofrenia, bipolaridade, depressão aguda ou ansiedade – sendo o vício de maconha apenas um componente do quadro psicótico e não seu determinante.
    Risco mais alto de desenvolver esquizofrenia ou depressão

    Até pouco tempo atrás vigorou a tese de que a maconha só deflagra transtornos mentais em pessoas com histórico familiar dessas doenças. Essa noção benigna da maconha foi sepultada, entre outros trabalhos, por uma pesquisa feita pelo Instituto de Saúde Pública da Suécia. Um grupo de 50.000 voluntários foi avaliado durante 35 anos. Eles consumiram maconha na adolescência.
    Os suecos demonstraram que o risco de um usuário de maconha sem antecedentes genéticos vir a desenvolver esquizofrenia ou depressão é muito mais alto do que o da população em geral. Entre os usuários de maconha pesquisados, surgiram 3,5 mais casos de esquizofrenia do que na média da população.
    No que se refere à depressão, o número de casos clínicos foi o dobro. Os sinais de perigo da fumaça estão surgindo em toda parte. “O bombardeio repetido da maconha sobre o cérebro cria uma marca neuronal indelével”, diz Ana Cristina Fraia, psicóloga da Clínica Maia Prime, em São Paulo, especializada no tratamento de dependência química.
    Interfere nas sinapses, levando ao comprometimento das funções cerebrais.
    A razão básica pela qual a maconha agride com agudeza o cérebro tem raízes na evolução da espécie humana. Nem o álcool, nem a nicotina do tabaco; nem a cocaína, a heroína ou o crack; nenhuma outra droga encontra tantos receptores prontos para interagir com ela no cérebro como a cannabis.
    Ela imita a ação de compostos naturalmente fabricados pelo organismo, os endocanabinoides. Essas substâncias são imprescindíveis na comunicação entre os neurônios, as sinapses. A maconha interfere caoticamente nas sinapses, levando ao comprometimento das funções cerebrais.
    O mais assustador, dada a fama de inofensiva da maconha, é o fato de que, interrompido seu uso, o dano às sinapses permanece muito mais tempo – em muitos casos para sempre, sobretudo quando o consumo crônico começa na adolescência. Em contraste, os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro se dissipam poucos dias depois de interrompido o consumo.
    EFEITO CONTRÁRIO -- Dezessete estados americanos autorizam o uso da maconha fumada para fins terapêuticos, mas as receitas médicas já são contrabandeadas (Foto: Justin Sullivan / Getty Image)
    Com 224 milhões de usuários em todo o mundo, a maconha é a droga ilícita universalmente mais popular. E seu uso vem crescendo – em 2007, a turma do cigarro de seda tinha metade desse tamanho. Cerca de 60% são adolescentes. Quanto mais precoce for o consumo, maior é o risco de comprometimento cerebral.
    Dos 12 aos 23 anos, o cérebro está em pleno desenvolvimento. Em um processo conhecido como poda neural, o organismo faz uma triagem das conexões que devem ser eliminadas e das que devem ser mantidas para o resto da vida. A ação da maconha nessa fase de reformulação cerebral é caótica. Sinapses que deveriam se fortalecer tornam-se débeis. As que deveriam desaparecer ganham força.
    Os efeitos psicoativos da maconha são conhecidos desde o ano 2000 antes de Cristo. Seu princípio psicoativo mais atuante é o tetraidrocanabinol (THC). Um outro componente da droga, o canabidiol, é o principal responsável pelos seus efeitos potencialmente terapêuticos.
    No câmpus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, o psiquiatra José Alexandre Crippa estuda o efeito do canabidiol no tratamento da fobia social. Trinta e seis voluntários, metade deles composta de fóbicos, ingeriram cápsulas da substância e, em seguida, tiveram de falar em público.
    Bipolaridade deflagrada pela droga -- "Comprar e consumir maconha é a coisa mais fácil do mundo. A droga é extremamente barata e ninguém faz cara feia quando percebe que você está fumando. As pessoas estão acostumadas. Fumei dos 14 aos 20 anos. Até começar a fumar, eu era ótima aluna - fui alfabetizada em inglês e ainda falava francês e espanhol com fluência. Meu raciocínio era rápido e eu era responsável em casa. Por causa da droga, passei a ter falhas sérias de memória. Um dia minha mãe descobriu que eu fumava e me levou ao médico. Lá, fui diagnosticada com transtorno bipolar, deflagrado pelo uso da maconha. Estou há quatro anos limpa. Não foi fácil. Tive duas recaídas. Mas estou aqui. Pronta para recomeçar.", Milena Gertner, 24 anos, fotógrafa, com a mãe, Sulamita Kramarski (Foto: Alexandre Schneider)
    Os níveis de ansiedade apresentados pelos portadores do transtorno equivaleram aos registrados pelos participantes sem a fobia. Todos os estudos sérios sobre os potenciais usos médicos da maconha mediram os efeitos de uma única substância, selecionada e isolada em laboratório – e não da inalação da fumaça de um cigarro. Diz Crippa: “Os defensores do uso medicinal do cigarro da maconha querem mesmo é obter a liberação da droga”.
    Nos EUA, venda de receitas
    Nos Estados Unidos floresce uma indústria de falsificação de receitas depois da legalização da erva para o tratamento do glaucoma e no controle da náusea de pacientes submetidos a quimioterapia. Para a alegria dos viciados, médicos inescrupulosos prescrevem a droga por preços que variam de 100 a 500 dólares.
    Em nenhum país a maconha é completamente liberada. Um dos mais notoriamente tolerantes é a Holanda, que permite o consumo da erva nos coffee shops, mas, ainda assim, os proprietários só estão autorizados a vender 5 gramas, o equivalente a um cigarro, para cada cliente.
    Recentemente, o governo holandês proibiu a venda da droga para estrangeiros. Nem sempre foi assim. Na década de 70, quando a Holanda descriminalizou a maconha e se tornou uma espécie de Disney libertária, fumava-se em praça pública. A festa acabou cedo. Desde então, o tráfico só aumentou. A experiência holandesa – e o recuo das autoridades – derruba um dos mais rígidos pilares da defesa pela liberação: o de que a venda autorizada poria fim ao tráfico. Não pôs.
    MARCHAR PODE; FUMAR, NÃO -- No início do ano, o STF autorizou as manifestações a favor da liberação da maconha em nome da liberdade de expressão (Foto: Sérgio Carvalho / Folhapress)
    No Brasil, desde 2006, com a lei antidrogas aprovada pelo Congresso e sancionada pelo então presidente Lula, foi estabelecida uma distinção na punição de traficantes e usuários. Os bandidos estão sujeitos a até quinze anos de prisão. O consumidor não vai para a cadeia. Nesse caso, o juiz decide por uma advertência verbal, pela prestação de serviços comunitários ou recomenda um tratamento médico.
    A lei brasileira não contempla o volume máximo da droga a ser classificado como uso pessoal. Luana Piovani e Isabel Filardis são algumas das celebridades que defendem a tese de que a maioria dos presos com maconha “nunca cometeu outros delitos, não tem relação com o crime organizado e portava pequenas quantidades da droga no ato da detenção”.
    Do ponto de vista social, elas estão corretíssimas. Do ponto de vista da saúde e da aplicação das leis, nem tanto. O advogado criminalista Pedro Lazarini faz restrições: “Um bandido pode se valer desses limites para nunca ser condenado”. O ideal seria que as evidências científicas incontestáveis sobre os ruinosos efeitos da maconha para a saúde sejam levadas em conta. Todos ganham com isso.

    “ATUALMENTE, ‘PEGA MAL’ SER CONTRA A LIBERAÇÃO DA MACONHA”

    PELA CONDENAÇÃO DA DROGA -- O psiquiatra Valentin Gentil Filho: "Se fosse para escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha" (Foto: Claudio Gatti)
    Aos 66 anos, o paulistano Valentim Gentil Filho é um dos mais renomados psiquiatras do país. Com doutorado em psicofarmacologia clínica pela Universidade de Londres, ocupou o cargo de presidente do conselho diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas durante doze anos – sem nunca ter abandonado a prática clínica.
    Tamanha experiência o levou a defender a condenação da maconha. “Trata-se da única droga a interferir nas funções cerebrais de forma a causar psicoses irreversíveis”, disse a VEJA. “Se fosse para escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha.”

    Nos últimos dois anos, a ideia da descriminalização para o usuário da maconha ganhou força no país. Recentemente, um grupo de juristas apresentou a proposta no Senado com o objetivo de a medida ser adotada na reforma do Código Penal. O que o senhor acha disso?
    O tráfico deve adorar isso. Em hipótese alguma dá para liberar geral. Estamos falando de substâncias altamente tóxicas. Um dos argumentos pró-maconha é que a legalização reduziria o consumo da droga. As pesquisas mostram, no entanto, que, quando o consumo é referendado e a droga é considerada segura, o adolescente experimenta mais. A história de que os jovens se sentem estimulados a usar drogas por serem proibidas se aplica apenas a uma minoria.
    Há muitos médicos, inclusive da sua especialidade, que não pensam como o senhor.
    Não é simpático expressar uma opinião contrária à cultura da “anticaretice” que impera no país em relação à maconha. Atualmente, “pega mal” ser contra a liberação da maconha. Até mesmo entre os médicos. O fato de a maconha não ser tão agressiva como outras drogas quando usada nas primeiras vezes contribui para isso. Mas ou esses médicos estão muito desinformados ou eles têm acesso a fontes científicas bem diferentes das minhas. Se fosse obrigado a escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha, sem sombra de dúvida.
    De que forma a maconha seria mais prejudicial do que as outras drogas?
    Drogas como heroína, cocaína e crack são devastadoras porque podem matar a curto ou curtíssimo prazo. Além disso, é difícil se livrar dessas substâncias pelo alto grau de dependência que apresentam.
    Os danos que elas causam ao cérebro, porém, cessam quando deixam de ser usadas. Ou seja, passado o período de abstinência, as funções do organismo se restabelecem.
    Com a maconha a história é outra. É a única droga a interferir nas funções cerebrais de forma a causar psicoses definitivas, mesmo quando seu uso é interrompido.
    Qualquer usuário está suscetível a tais danos?
    Sim, mas em graus diferentes, a depender da frequência de consumo e da tolerância do organismo do usuário. É uma roleta-russa. O consumidor esporádico, aquele que fuma às vezes, está sujeito a sofrer estados psicóticos transitórios, como alucinação e paranoia, ataques de pânico e ansiedade. O efeito permanente nas conexões nervosas se dá no uso crônico. Aí, sim, absolutamente todos sofrem algum prejuízo.
    O astrônomo americano Carl Sagan (1934-1996) foi usuário da maconha e um defensor ferrenho da droga. Ainda assim, deixou o legado de uma carreira brilhante. Ele teria sido uma exceção?
    Sagan foi um gênio, e sou fã dele. Mas penso que, se não tivesse usado tanta maconha, ele teria sido um profissional ainda mais brilhante e mais responsável. Sagan tinha algumas ideias estapafúrdias para um astrônomo.
    Por exemplo: ele se tornou um dos líderes do Seti (Search for Extra-Terrestrial Intelligence – Busca por Inteligência Extraterrestre), que investiu centenas de milhões de dólares na busca de sinais alienígenas ou provas de alguma civilização extraterrestre. Repito aqui: não há exceções para os danos causados pela maconha.
    É possível identificar os adolescentes mais propensos a usar a droga?
    Há entre eles um traço de personalidade conhecido como “busca de novidade” (novelty seeking) ou “busca de sensações” (sensation seeking). Pessoas com esse perfil se expõem mais a riscos, têm menor controle sobre suas emoções, são mais impulsivas e têm maior probabilidade de se tornarem dependentes da maconha. No extremo oposto, alguns jovens introvertidos e ansiosos também ficam vulneráveis, dependendo do ambiente. Famílias estruturadas ajudam, e a presença dos pais monitorando o comportamento é uma proteção importante, mas não é garantia contra o uso.
    Qual é a sua opinião sobre o uso medicinal da maconha?
    Acredito em benefícios de determinadas substâncias extraídas da planta que dá origem à maconha, a Cannabis. Isso é diferente de preconizar o uso terapêutico da maconha fumada, que tem muitos compostos nocivos ao organismo, além da fumaça quente retida no pulmão, com potencial cancerígeno.
    Não acredito nem mesmo nas versões “purificadas” da planta, vendidas em alguns estados americanos e em coffee shops europeus. Não há tecnologia capaz de certificar que um baseado tenha apenas substâncias não tóxicas da planta. Aliás, a venda nesses lugares é uma bagunça.
    O filho de um amigo conseguiu comprar maconha medicinal na Califórnia porque no mesmo lugar onde comprou a droga comprou também a receita médica. Uma coisa tem de ficar clara: a agência de saúde oficial americana (FDA) não valida o consumo da maconha ou de outros preparados da Cannabis para fins medicinais. Alguns estados liberam por meio de seus governos.
    Fonte: Reportagem de Adriana Dias Lopes, publicada na edição impressa de VEJA. http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/maconha-faz-mal-sim-quem-afirma-e-a-medicina/
    Fonte: CEBRID- UNIFESP (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas e Psicotrópicas).
http://www.infoescola.com/drogas/maconha/
http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/a+maconha+inserida+na+cultura+popular/n1596998416181.htmlhttp://whiplash.net/materias/diaadia_mortes/057489.html

Um comentário:

  1. Nos dias de hoje as drogas e o álcool tem permeado muito na sociedade. Por isso, nós da Nova Aurora, estamos aqui para ajudar, conheça nossa clínica para tratamento de dependentes químicos http://ctnovaaurora.com.br/

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AGRADEÇO SUA VISITA.
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