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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

KEPLER-NOSSOS OLHOS NO UNIVERSO


O filme Avatar explora uma hipótese que cientistas há muito tempo consideram plausível: a existência de luas habitáveis algures no vasto Universo, exoluas
Em Avatar, a exolua, luxuriante, chama-se Pandora e orbita um planeta fictício gigante e gasoso, Polyphemus, num sistema estelar que de facto existe e se encontra muito perto do nosso SolAlfa Centauri.
Alfa Centauri é um sistema triplo: as duas estrelas principais, Alfa Centauri A e B, encontram-se a apenas 4,37 anos-luz de distância. A terceira estrela está ainda mais perto, a 4,2 anos-luz, uns meros 40 triliões de quilómetros.
Alfa Centauri A é uma estrela amarela, do tipo G, o mesmo do nosso Sol, mas é 23 por cento maior; a estrela B é uma laranja do tipo espectral K, mais fria, com um raio 14 por cento menor de que o do Sol; a terceira, baptizada Proxima Centauri por se encontrar a menor distância, é uma anã vermelha à mercê da gravidade das outras duas, é 1,5 vezes maior do que Júpiter e demora um milhão de anos a dar uma volta completa às estrelas principais.

Demasiado perto, demasiado longe

À escala cósmica, todas estas estrelas são vizinhas, estão no quintal ao lado do nosso , à insignificante escala humana, estão a distâncias impossíveis. 
O engenho mais rápido alguma vez fabricado pelo Homem é a sonda Voyager 1, lançada em 1977, que cruza o espaço à velocidade de 17,2 Km por segundo, ou seja, quase 62 mil quilómetros por hora: a Voyager 1 demoraria 75 mil anos a chegar ao sistema Alfa Centauri.
Não podemos lá ir fisicamente, portanto até um telescópio se pode transformar em ferramenta de poetas: 
«Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver o universo… Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer. Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura», escreveu um dos maiores de sempre, Alberto Caeiro.
Uma das ferramentas através das quais a Humanidade pode ver além das suas limitações físicas é a sonda Kepler – um observatório espacial projectado pela NASA com o objectivo de descobrir planetas exosolares.

Kepler à procura de novos mundos

missão Kepler, lançada em Março do ano passado, será capaz de encontrar exoluas, essas hipotéticas Pandoras.
A astrofísica Lisa Kaltenegger, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, parte da observação do nosso próprio Sistema Solar para justificar o seu jovial optimismo: «Todos os gigantes gasosos no nosso sistema possuem luas rochosas e luas congeladas», afirmou à Space.com. 
«É plausível pensar que Júpiteres exosolares possam também ter as suas próprias luas. Algumas destas podem até ser do tamanho da Terra e capazes de sustentar uma atmosfera densa.»
Não será fácil descobri-las, sobretudo tendo em conta que, infelizmente, não parece existir qualquer planeta gigante gasoso no sistema triplo Alfa Centauri.
A mesma Lisa Kaltenegger escreveu um artigo para a Astrophysical Journal Letters no qual elegeu Alfa Centauri como exemplo de «um alvo excepcional que os cientistas poderiam investigar» com o telescópio espacial de nova geração, o James Webb Space Telescope. Dado que Alfa Centauri não é muito promissora, apesar da sua tentadora proximidade, sempre podemos explorar outras estrelas: «Existem diversas estrelas próximas de nós com planetas gigantes», diz Kaltenegger, «e alguns orbitam nas zonas habitáveis das suas estrelas, tornando, os sistemas potenciais do tipo Pandora».
Não admira por isso que o sucesso do filme Avatar seja usado pela astrofísica para chamar a atenção para as verdadeiras maravilhas que nos esperam se, como será preferível, confiarmos mais na Ciência e menos na superstição: «Se Pandora existisse, potencialmente poderemos vir a detectá-la e estudar a sua atmosfera nos próximos anos».

Uma agulha num palheiro cósmico

Os exoplanetas são detectados da seguinte forma: ao passarem pela estrela, eclipsam a luz estelar em quantidades ínfimas, mas detectáveis, de luz. 
Este trânsito exoplanetário pode durar algumas horas e é necessário um alinhamento perfeito entre a estrela, o exoplaneta e a nossa linha de visão.
Kaltenegger acredita que a missão Kepler será agora capaz de detectar e separar a luz de um exoplaneta e das suas eventuais exoluas: a gravidade da lua empurra o planeta, acelerando ou travando o seu trânsito pela estrela-mãe. 
As variações resultantes em cada intervalo de tempo indicam a presença do satélite, escreve o blogue Eternos Aprendizes num post sobre o mesmo tema.
Uma vez encontrada a exolua, prossegue o autor do post, Ricardo de Castro, o próximo objetivo será tentar descobrir-lhe uma atmosfera consistente. 
Em caso positivo, os gases que a constituem absorvem uma fração da luz estelar durante o trânsito, transmitindo aos observadores aqui na Terra a possibilidade, fugaz mas consistente, de ler a assinatura da sua composição química.
Nesta busca por uma Pandora no Universo, será necessário descobrir se a lua possui uma magnetosfera suficientemente forte para protegê-la dos ventos estelares, da radiação cósmica e da radiação do gigante a seu lado. Também será fundamental certificarmo-nos de que a lua consegue sustentar uma atmosfera. A nossa Lua, demasiado pequena, não consegue; Titã, uma das luas de Saturno, mais massiva, possui atmosfera.

A vida, tal como não a conhecemos

Os alienígenas de Avatar são muito diferentes de nós, mas apenas superficialmente: são formas de vida baseadas no carbono, a sua estrutura anatómica é semelhante, até a sua psicologia é humana – limitações próprias de uma história de ficção científica escrita para ser desfrutada pelo maior número de pessoas (humanos). Mas é possível pensar na possibilidade de tipos de vida que não conhecemos e, por isso, serem mais difíceis de descobrir (ou aceitar).
Um artigo da Daily Galaxy menciona o problema e cita o famoso Stephen Hawking: 
«Normalmente pensamos na vida como resultado de uma cadeia de átomos de carbono, com alguns outros como o nitrogénio e o fósforo, mas também podemos imaginar vida com outras bases químicas, como o silicone».
 «Ainda assim», prossegue Hawking, «o carbono parece ser o mais favorável, pois possui a química mais rica».
Outros cientistas não concordam com esta redução de possibilidades ao carbono e acreditam em formas de vida extraterrestres baseadas numa miríade de combinações químicas possíveis, da vida baseada em amoníaco à vida baseada em hidrocarbonetos ou silicone.
O artigo da Daily Galaxy é uma leitura fascinante para quem se interessa por especulações exobiológicas. 
Até o grande astrofísico Sir Fred Hoyle não desdenhou o poder da imaginação aliada à Ciência, quando escreveu, em 1957, a novela de ficção científica The Black Cloud, sobre uma misteriosa Nuvem Negra, uma nuvem de gás que se aproxima do Sistema Solar e ameaça a vida na Terra ao bloquear a luz do Sol. 
Face ao comportamento imprevisível da nuvem, os cientistas terrestres concluem, incrédulos, que a nuvem está viva e é dotada de inteligência.
A Terra, o sistema solar e a nossa galáxia deixaram de ser o centro do Universo observável; talvez um dia possamos concluir que o carbono também não é o centro de um Universo dotado de consciência.

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