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sábado, 27 de abril de 2013

A RELATIVIDADE DE EINSTEIN

Albert Einstein, o maior cientista do século passado, definiu as bases das duas principais teorias da atualidade: a relatividade geral e a mecânica quântica. Nascido na Alemanha em 1879, sua família mudara-se para Munique um ano depois, onde o seu pai Hermann e seu tio Jakob criaram um pequeno negócio. Einstein não demonstrara suas habilidades de gênio quando estudava, mas não podemos afirmar que suas notas eram ruins.
No ano de 1894, a família de Einstein se mudou para a Itália, e poucos meses depois, Albert foi junto, não suportando o autoritarismo escolar. Anos mais tarde, concluiu seus estudos em Zurique, na Suíça, e fez graduação na Escola Politécnica Federal no ano de 1900.
Em 1902, Einstein conseguiu um cargo num escritório de patentes na Suíça. Em 1905, ainda nesse posto, ele escreveu três artigos que lhe renderam o status como um dos principais cientistas do mundo, iniciando uma revolução, que alterou completamente nossa compreensão do espaço e tempo, e da própria realidade.
Antes do início do século XX, toda a comunidade científica imaginava-se próxima de uma descrição completa da natureza. Os cientistas acreditavam que o espaço estava coberto por meio contínuo chamado éter. A luz era uma onda nesse éter, e assim como o som, consistia em ondas de pressão no ar. Para entender todo o universo naquela época, era preciso medir as propriedades elásticas do éter. Acreditava-se que a luz se propagaria pelo éter com uma velocidade fixa, mas que se um observador viajava pelo éter na mesma direção que a luz, a velocidade desta lhe pareceria menor, e se viajava em direção oposta a da luz, sua velocidade lhe pareceria maior.
Contudo, experimentos posteriormente realizados não batiam com essa teoria. A velocidade da luz não muda mesmo para observadores diferentes, não importando sua respectiva velocidade e direção.
Einstein, em um artigo em 1905, afirmou que as leis da ciência são as mesmas para todos os observadores. Qualquer observador no universo deveria medir a mesma velocidade da luz, independente de sua velocidade. Ou seja: a velocidade da luz é independente do movimento do observador e tem o mesmo valor em todas direções, contrariando aquilo que se acreditava até então.

Albert Einstein também afirmou naquele artigo que não existe um tempo universal, que todos os relógios em todo o universo medem o mesmo horário. Cada observador possui seu próprio tempo. O tempo de duas pessoas coincidiria somente caso elas tivessem na mesma velocidade desde que nasceram, ou seja, caso uma esteja em movimento em relação à outra, o tempo de uma delas passa a ser diferente. Essa ideia foi confirmada por diversos experimentos realizados ao longo do século. Relógios já foram colocados em órbita e quando voltaram, indicavam um tempo ligeiramente diferente daquele que se marcava aqui na Terra.

A ideia de Einstein de que as leis físicas deveriam ser as mesmas para todos os observadores é uma das bases da Teoria da Relatividade, assim denominada por que somente importa o movimento relativo. Uma teoria assustadoramente simples, que gerou muitas críticas quando lançada, afinal de contas, ele tinha destruído uma boa parte da física até então. Tudo é relativo, mas muitos pesquisadores gastaram boa parte de sua carreira tentando provar que a teoria de Einstein estava errada, sem sucesso.
Agora vamos nos aprofundar um pouco mais na teoria que revolucionou o mundo. Massa e energia estão intimamente relacionados. Quando Einstein afirmou que a velocidade da luz é a mesma para qualquer observador implica que nada pode ser mover mais rápido que ela. Isso porque precisamos de energia para acelerar algo (não importa se seja um átomo um foguete). Quando algo é acelerado, sua massa aumenta, tornando sua aceleração algo mais difícil. Acelerar algo até a velocidade da luz seria impossível pois exigiria uma quantidade infinita de energia, algo que nem o universo inteiro possui  Massa e energia são equivalentes.
A Teoria da Relatividade funcionava perfeitamente com as leis da eletricidade e do magnetismo, mas não era compatível com a teoria de Newton da gravitação. As teorias de Newton permitiam uma velocidade superior à da luz e previa um tempo absoluto universal, algo expressamente proibido pela relatividade.
E Einstein sabia disso, mas não deu tanta importância até 1911. Ele notou que há uma grande relação entre aceleração e um campo gravitacional. Se a Terra fosse plana, tanto poderíamos dizer que a maçã caiu sobre a cabeça de Newton por causa da gravidade quanto dizer que Newton e a superfície de toda a Terra estava acelerando para cima. Mas isso não parecia funcionar para um planeta esférico…
Foi então que em 1912 Einstein teve uma brilhante ideia no qual dizia que a equivalência valeria caso a geometria do espaço-tempo fosse curva ao invés de plana, como se imaginava até então. Ele afirmou que massa e energia podem deformar o espaço-tempo. Objetos como maçãs ou planetas se movem em linhas retas pelo espaço-tempo, mas suas trajetórias são curvadas por um campo gravitacional porque o espaço-tempo é curvo.
Einstein era humano, e portanto falível, e por causa de um engano seu, não estava conseguindo encontrar uma equação que relacionava a curvatura do espaço-tempo com seu conteúdo de massa e energia. Em 1915, a resposta para o problema estava resolvida.
Naquele ano, Einstein lançara ao mundo a Teoria da Relatividade Geral, para distinguir a da teoria original (sem a gravidade envolvida – que ficou conhecida como relatividade espacial). A teoria foi provada em 1919 durante um eclipse, quando a luz proveniente de uma estrela, ao passar perto do Sol, teve sua trajetória curvada, provando a teoria de Einstein que espaço e tempo podem ser deformados.
Na Teoria da Relatividade Geral, o espaço e o tempo deixaram de ser passivos, e passaram a atuar na dinâmica do universo. Mas aí haviam problemas…
O universo possui muita matéria, que deforma o espaço-tempo fazendo com que os corpos se atraiam. O cientista acreditava que suas equações não permitiam nenhuma solução que descrevesse um universo estático, invariável no tempo. Ele modificou algumas equações e adicionou a denominada constante cosmológica, que curvava o espaço-tempo no sentido oposto, fazendo os corpos se repelirem. O efeito repulsivo da constante poderia cancelar o efeito atrativo da matéria, e permitir um universo estático.
Observações na década seguinte mostraram que quanto mais longe estão localizadas outras galáxias, mais rápido elas se afastam de nós. Foi descoberto que o universo estava se expandindo, e a distância entre duas galáxias aumenta com o tempo. Isso eliminava a necessidade de uma constante cosmológica que proporcionava uma solução estática para o universo. Anos mais tarde, Einstein afirmou que a constante cosmológica havia sido o maior erro de sua vida – mas nem quando ele próprio achava que estava errado, ele estava certo (e isso é o que veremos no terceiro artigo da série). Existe de fato uma constante cosmológica, prevista novamente através de observações nos anos 90.
Einstein acreditava que o universo sempre existiu, portanto nunca fora criado ou nunca teria um fim. Mas as galáxias estavam se separando, implicando que um dia estiveram mais juntas, e voltando ainda mais no passado, estavam todas num lugar só, comprimidas num único ponto, que hoje sabemos que foi infinitamente quente e denso (singularidade).

Einstein não gostava da ideia do Big Bang. A grande densidade nos primórdios do universo fez com que surgissem elementos que podemos observar pelo espaço. Através da radiação cósmica de fundo, proveniente do Big Bang e observada hoje, implica que a densidade chegou à um trilhão de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões (1 seguido de 72 zeros) de toneladas por centímetro cúbico.
Embora Einstein não acreditasse muito nisso (ele próprio definia singularidade como sujeira varrida para debaixo do tapete), a Teoria da Relatividade Geral previa isso. O espaço e o tempo tiveram um começo.
A relatividade geral afirma que o tempo deixa de existir no interior dos buracos negros, onde existe uma singularidade proveniente do colapso de uma estrela. Contudo, o começo ou término do tempo não é tão definido assim pela relatividade geral, e a teoria da Einstein não explicava o que conduziria à uma grande explosão. A origem do universo continua sendo um mistério, conforme abordaremos mais adiante.
A relatividade geral não funciona no Big Bang por causa de sua incompatibilidade com a mecânica quântica, outra grande teoria do século passado, que o próprio Einstein ajudou a construir através do efeito fotoelétrico.
Einstein estava trabalhando nas teorias quânticas até se intrigar com um experimento de Werner Heisenberg em Copenhagen. Heisenberg afirmava que é impossível saber com precisão todas as propriedades de uma partícula. Por exemplo, se sabemos sua posição exata, é impossível determinar sua velocidade, e vice-versa. Essa é uma das esquisitices da física quântica. Einstein não se conformava com essa imprevisibilidade e jamais aceitou completamente a mecânica quântica. Foi nessa época que ele eternizou a frase “Deus não joga dados”. Contudo, essas bizarras leis quânticas explicavam alguns fenômenos que eram tidos como mistérios até então.


terça-feira, 23 de abril de 2013

UNIVERSOS PARALELOS

Em 1954, Hugh Everett III, um jovem candidato ao doutorado da Universidade de Princeton, apareceu com uma idéia radical: a existência de universos paralelos, exatamente como o nosso. Esses universos estariam todos relacionados ao nosso. Na verdade, eles derivariam do nosso, que, por sua vez, seria derivado de outros. Nesses universos paralelos, nossas guerras surtiriam outros efeitos dos conhecidos por nós. Espécies já extintas no nosso universo se desenvolveriam e se adaptariam em outros e nós, humanos, poderíamos estar extintos nesses outros lugares.
Os universos paralelos realmente existem?
Algumas teorias matemáticas e físicas dão base para tal possibilidade.
Isso é enlouquecedor e, mesmo assim, compreensível. Noções de universos ou dimensões paralelos, que se assemelham aos nossos, apareceram em trabalhos de ficção científica e foram usadas como explicações na metafísica, mas por que um jovem físico em ascensão arriscaria o futuro de sua carreira propondo uma teoria sobre universos paralelos?
Com sua teoria dos Muitos Mundos, Everett precisou responder uma questão muito difícil relacionada à física quântica: por que a matéria quântica se comporta irregularmente? O nível quântico é o menor já detectado pela ciência. O estudo da física quântica começou em 1900, quando o físico Max Planck apresentou o conceito para o mundo científico. Seu estudo sobre a radiação trouxe algumas descobertas que contradiziam as leis da física clássica. Essas descobertas sugeriram que existem outras leis operando no universo de forma mais profunda do que as que conhecemos.
Em um curto espaço de tempo, os físicos que estudavam o nível quântico perceberam algumas coisas peculiares nesse mundo minúsculo. Uma delas é que as partículas que existem nesse nível conseguem tomar diferentes formas arbitrariamente. Por exemplo: os cientistas observaram fótons - minúsculos pacotes de luz - atuando como partículas e ondas. Até mesmo um único fóton tem esse desvio de forma. Imagine que você fosse um ser humano sólido quando um amigo olhasse você e, quando ele olhasse de novo, você tivesse assumido a forma gasosa.
Isso ficou conhecido como o Princípio da Incerteza de Heisenberg. O físico Werner Heisenberg sugeriu que, apenas observando a matéria quântica, afetamos seu comportamento; sendo assim, nunca podemos estar totalmente certos sobre a natureza de um objeto quântico ou seus atributos, como velocidade e localização.
interpretação de Copenhague da mecânica quântica apóia essa idéia. Apresentada primeiramente pelo físico dinamarquês Niels Bohr, essa interpretação afirma que todas as partículas quânticas não existem em um ou outro estado, mas em todos os estados possíveis de uma só vez. A soma total dos possíveis estados de um objeto quântico é chamada de sua função de onda. A condição de um objeto existir em todos seus possíveis estados, de uma só vez, é chamada de superposição.
Segundo Bohr, quando observamos um objeto quântico, afetamos seu comportamento. A observação quebra a superposição de um objeto e o força a escolher um estado de sua função de onda. Essa teoria explica por que os físicos obtiveram medidas opostas em relação ao mesmo objeto quântico: o objeto "escolheu" estados diferentes durante diferentes medidas.
A interpretação de Bohr foi amplamente aceita e ainda o é por grande parte da comunidade que estuda física quântica, mas ultimamente a teoria de Everett dos Muitos Mundos tem recebido muita atenção.

Teoria dos Muitos Mundos

O jovem Hugh Everett concordava com muito do que o altamente respeitado físico Niels Bohr havia sugerido sobre o mundo quântico. Ele concordava com a idéia da superposição e com a noção das funções de onda, mas discordava de Bohr em um ponto vital.
Para Everett, medir um objeto quântico não o força de um estado para o outro, mas uma medida tirada de um objeto quântico causa uma quebra no universo. O universo é literalmente duplicado, dividindo-se em um universo para cada possível desfecho da medida. Por exemplo, digamos que a função da onda de um objeto seja tanto de uma partícula quanto de uma onda. Quando um físico mede a partícula, existem dois desfechos possíveis: ela será medida como uma partícula ou como uma onda. Essa diferenciação transforma a teoria de Everett dos Muitos Mundos em uma concorrente da interpretação de Copenhague como uma explicação para a mecânica quântica.
Quando um físico mede o objeto, o universo se quebra em dois universos distintos para acomodar cada um dos possíveis desfechos. Então, um cientista em um universo descobre que o objeto foi medido na forma de onda. O mesmo cientista, no outro universo, mede o objeto como uma partícula. Isto também explica como uma partícula pode ser medida em mais de um estado.
Pode parecer estranho, mas a interpretação dos Muitos Mundos de Everett tem implicações além do nível quântico. Se uma ação tem mais de um resultado possível, então - se a teoria de Everett estiver certa - o universo se quebra quando aquela ação é tomada, o que continua sendo verdade, mesmo quando a pessoa decide não tomar uma atitude.
Isso significa que se você já esteve em uma situação onde a morte era um dos possíveis desfechos, então, em um universo paralelo ao nosso, você está morto. Esse é apenas um dos motivos que faz algumas pessoas acharem a interpretação dos Muitos Mundos perturbadora.
Outro conceito perturbador da interpretação dos Muitos Mundos é que ela mina nosso conceito linear de tempo. Imagine uma linha do tempo mostrando a história da Guerra do Vietnã. Em vez de uma linha reta mostrando acontecimentos notáveis progredindo adiante, uma linha do tempo baseada na interpretação dos Muitos Mundos mostraria cada possível desfecho de cada ação tomada. Daí, cada possível desfecho das ações tomadas (como resultado do desfecho original) também seria registrado.
Uma pessoa, porém, não pode ter consciência de suas outras personalidades - ou até mesmo de sua morte - que existem nos universos paralelos. Então, como saberemos se a teoria dos Muitos Mundos está certa? A certeza de que a interpretação é teoricamente possível veio no fim dos anos 90, com a experiência mental - uma experiência imaginada, usada para provar ou desmentir teoricamente uma idéia - chamada suicídio quântico. 
Esse experimento mental renovou o interesse na teoria de Everett, que foi, durante muitos anos, considerada bobagem. Desde que se provou a possibilidade dos Muitos Mundos, os físicos e matemáticos têm tentado investigar profundamente as implicações da teoria, mas a interpretação dos Muitos Mundos não é a única teoria que tenta explicar o universo, nem é a única que sugere a existência de universos paralelos ao nosso.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

SEREIAS

As sereias (gr. Σειρῆνες) eram entidades monstruosas, com corpo metade mulher e metade pássaro, capazes de encantar qualquer um que ouvisse o seu canto.
Seu número variava, habitualmente de dois a três. 
Viviam em uma ilha do Mediterrâneo, em algum lugar do Mar Tirreno, cercada de rochas e recifes, de localização variável de acordo com a versão do mito. 
Os marinheiros que se aproximavam o bastante para ouvir seu mavioso e hipnótico canto, descuidavam-se e naufragavam (Nonn. D. 2.11-7)
Alguns autores tardios relatam que elas devoravam os marinheiros afogados, mas é provável que essa informação venha de uma interpretação errônea da Odisséia 2.45-6.
Mitos
Embora ligadas ao mar e às viagens marítimas, não eram entidades marinhas. Sua genealogia é um pouco confusa, mas em geral são consideradas filhas do deus-rio Aqueloo e da musa Melpômene (Apollod. 1.18 e 1.63; Lyc. 712), ou de Terpsícore (A.R. 4.892, Nonn. D. 13.313). Na Helena (167-72),
 Eurípides considerou-as filhas de Gaia e relatou que tocavam a "flauta líbia", a siringe e o fórminx. Homero afirmou que elas podiam prever o futuro (Od. 12.191), o que condiz com divindades nascidas de Gaia
Certa vez, as sereias desafiaram as musas para uma disputa musical e perderam; como punição, as musas tiraram as penas de suas asas (Paus. 9.34.2) Isso, é claro, é um pouco desconcertante, se levarmos em conta uma das possíveis genealogias das sereias...
Elas participam da lenda de Odisseu e dos Argonautas, mas tanto um como os outros, justamente, resistiram ao seu canto ,os argonautas, graças aos cantos de Orfeu (A.R. 892-919), e Odisseu por causa do prático expediente de ser amarrado ao mastro e mandar a tripulação tapar os ouvidos com cera (Od. 12 passim). Segundo autores tardios, ao falharem, as sereias afogaram-se ou transformaram-se em rochas, mas uns situam isso no episódio dos argonautas, outros nas viagens de Odisseu.
Fontes, iconografia, culto
As mais extensas referências a elas são as da Odisséia, as da Argonáutica, de Apolônio de Rodes (supra), e a da Suda (s.v.). A mais antiga é a da Odisséia.
As sereias eram sempre representadas, como grandes pássaros com cabeça e busto de mulher, às vezes, com asas, às vezes com braços. Estão presentes em frisos, monumentos fúnebres, vasos de figuras negras e de figuras vermelhas, estatuetas, jóias e outras obras da arte grega. Sua figura tem origem oriental e deve ter sido introduzida na Grécia durante a fase orientalizante.
Havia um templo dedicado às sereias perto de Sorrento, e uma delas era cultuada em Neápolis, no sul da península italiana.
Literatura
A expressão "canto da sereia", muito utilizada em nossos dias, refere-se a algo que produz uma atração (quase) irresistível. Na Antiguidade, Platão referiu-se a seus conhecimentos musicais no diálogo República (617b-c), e Suetônio(8.70) relata que uma das perguntas favoritas do Imperador Tibério era "qual a música cantada pelas sereias?".
Na literatura moderna, as sereias inspiraram muito poemas e numerosas obras, como O Silêncio das Sereias, de Kafka (1917), 
A história da sereia, de E.M. Forster (1947), As sereias de Titã, de Kurt Vonnegut (1959), entre muitas outras.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A CAIXA DE PANDORA

A história de Pandora e sua caixa está presente nas narrativas mitológicas dos antigos gregos.
Conta a história que o titã Prometeu (aquele que vê antes) e seu irmão Epimeteu (aquele que vê depois) criaram os animais e os homens. Deram a cada animal um poder, como voar, caçar, coragem, garras, dentes afiados. O homem, criado por Prometeu a partir da argila, ficou sem nada por ser o último a ser feito. Prometeu deu um pouco de cada animal para o homem, mas faltava alguma coisa especial.
Prometeu ensinou diversas coisas ao homem. Ensinou a domesticar animais, fazer remédios, construir barcos, escrever, cantar, interpretar sonhos e buscar riquezas minerais. Porém, enfureceu Zeus ao roubar o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. Zeus decidiu, então, vingar-se de Prometeu e dos homens.
Prometeu foi acorrentado a uma montanha. Sua condenação foi passar a eternidade preso a uma rocha, aonde uma ave viria comer seu fígado. Toda noite seu fígado se regeneraria e a ave voltaria no dia seguinte pra lhe comer o fígado novamente.
Para castigar os homens, Zeus ordenou que o Deus das Artes, Hefesto, fizesse uma mulher parecida com as deusas. Hefesto lhe apresentou uma estátua linda. A deusa Atena lhe deu o sopro de vida, a deusa Afrodite lhe deu beleza, o deus Apolo lhe deu uma voz suave e Hermes lhe deu persuasão.
 Assim, a mulher recebeu o nome de Pandora (aquela que tem todos os dons).
Pandora foi enviada para Epimeteu, que já tinha sido alertado por seu irmão a não aceitar nada dos deuses. Ele, por “ver sempre depois”, agiu de forma precipitada e ficou encantado com a bela Pandora. Ela chegou trazendo uma caixa (não era necessariamente uma caixa, mas um jarro) fechada, um presente de casamento para Epimeteu.
Epimeteu pediu para Pandora não abrir caixa, mas, tomada pela curiosidade, não resistiu. Ao abrir a caixa na frente de seu marido, Pandora liberou todos os males que até hoje afligem a humanidade, como os desentendimentos, as guerras e as doenças. Ela ainda tentou fechar a caixa, mas só conseguiu prender a esperança.
Desde então a história de Pandora está associada com fazer o mal que não pode ser desfeito. Nesse mito também está o nascimento do pensamento sobre o bem e o mal que a mulher pode causar.
É interessante perceber o motivo de a esperança estar presente entre os males trazidos por Pandora à Terra. Para algumas interpretações, a esperança está guardada e isso é bom. Entretanto, compreendendo a lógica do mito, pode-se ler a história de forma pessimista, pois a esperança está guardada dentro da caixa e a humanidade está sem esperança. Essas duas leituras admitem que a esperança seja algo bom.
Diferente da leitura anterior, Friedrich Nietzsche (1844-1900) escreveu, em Humano, Demasiado Humano, que “Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar. Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens”.
Outra leitura é traduzir a palavra grega Elpis como expectativa ao invés de esperança. Assim, o homem é poupado de ter a expectativa do mal a todo instante, tornando a vida algo suportável apesar dos males.

Filipe Rangel Celeti
Colaborador Mundo Educação
Bacharel em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP

MEDUSA

Pelo que me parece existem várias versões para a criação da medusa. A mais antiga é a de três irmãs górgonas (ou górgones), (EuríalaEsteno e Medusa). Segundo esta história, as irmãs possuíam cabelos de cobra, dentes de javali, asas de ouro e mãos de bronze, porém só Medusa possuía o olhar petrificante. 
A Medusa era considerada uma das divindades primordiais, das que nasceram antes do Olimpo. Outras histórias contam que Medusa era uma bela moça de cabelos negros que se apaixonou por um deus (falam de Netuno e de Zeus) e resolveu marcar seu encontro amoroso com o deus num dos templos de Minerva. Esta não gostou disso e, irada, transformou os cabelos da jovem em cobras e fez com que seu olhar petrificasse qualquer um que estivesse em seu caminho. 
A mitologia nos traz que a Medusa odeia os homens, porque foi por culpa de um amor que ela se transformara num monstro, e odeia as mulheres, porque um dia ela tinha sido a mais bonita de todas. 
O que transformou a Medusa num monstro, segundo a versão da transformação por Minerva, não foram seus cabelos ou seu olhar petrificante, mas sim a sua maldade, já que depois de transformada sua diversão era perseguir humanos e transformá-los em pedra, e essa maldade não foi Minerva que colocou nela. As versões antigas mostram Atena como umadeusa com cabelos decorados por serpentes o que nos lembra a Medusa, mas os mais recentes mostram-na como uma “inimiga” da Medusa, tanto que Perseu entrega a ela a cabeça da Medusa quando ele consegue matá-la.
 Tem um mito que diz que Perseu e sua mãe Danai (ou Danae) foram lançados ao mar numa arca e achados por um pescador que os apresentou ao rei da ilha, Polidecto (ou Polidectes). O tempo passou, Perseu cresceu e Polidecto se apaixonou por Danai. Com o intuito de afastar Perseu da ilha o rei deu a ordem dele ir atrás da Medusa, que estava causando muito medo de matá-la. 
Ele foi. E conseguiu matar a monstruosidade, arrancando sua cabeça com um golpe de espada. Quando ele foi olhar para o local onde ele havia lançado a cabeça da Medusa se surpreendeu, pois de seu sangue nascia uma espécie de cavalo (Pégaso), algumas histórias contam que do pescoço nasceu também Crisaor.
 De sua veia esquerda saía um veneno e da outra um remédio que era capaz de ressuscitar os mortos. Como já havia dito, quem escolheu ser má foi a própria Medusa já que dentro de si tinha duas poderosas substâncias. A da vida e a da morte. Ela escolheu usar a da morte, e terminou morta, como um monstro. Algumas versões nos trazem que Medusa queria disputar o amor de Zeus com Minerva, então esta, com raiva, a transformou. Dizem que Euríala simboliza o instinto sexual pervertido, Esteno a perversão social e Medusa a necessidade de crescer estagnada. 
Seus filhos são monstros. Sendo que Pégaso ajudou Belerofonte a derrotar outra monstruosidade: A Quimera. Mostra que Pégaso apesar de filho da Medusa não era assim tão malvado e monstruoso.
Encerro com Medusa. Até mais.

Leia Mais: A Caixa de Pandora: Medusa
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