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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ANÚBIS

O CHACAL, ANIMAL que tem o hábito de desenterrar ossos, de forma paradoxal representava para os egípcios o deus Anúbis, justamente a divindade considerada a guardiã fiel dos túmulos e patrono do embalsamamento. 
Em algumas versões da lenda ele aparece como filho do deus Seth com sua esposa Néftis. 
ISIS
Entretanto, a versão mais comum é a de que ele é filho de Osíris, que se uniu com Néftis por tê-la confundido com sua esposa Isis. Quando esta última deusa veio a saber do nascimento da criança começou a procurá-la. Néftis, por temor a Seth, escondeu-a logo após o parto. Guiada por cães, Ísis encontrou o recém--nascido depois de grandes e difíceis penas e encarregou-se de alimentá-lo e Anúbis se converteu em seu acompanhante e guardião. 
Dizia-se que estava destinado a guardar os deuses, assim como os cães guardam aos homens. 
Acima vemos o chacal envernizado, com garras de prata, que guardava a múmia de Tutankhamon (c. 1333 a 1323 a.C.). 
Na ilustração abaixo, um detalhe da dança marcial de três Anúbis na tumba do artífice Inherka, em Deir el-Medina.
REPRESENTADO POR UM CHACAL ou por um cão deitado, ou ainda pela figura de um homem com cabeça de chacal ou de cão, o deus Anúbis (Anpu em egípcio) era o embalsamador divino e um dos responsáveis pelo julgamento dos mortos no além-túmulo. 
No reino dos mortos, na forma de um homem com cabeça de chacal, ele era o juiz que, após uma série de provas por que passava o defunto, dizia se este era justo e merecia ser bem recebido no além túmulo ou se, ao contrário, seria devorado por um terrível monstro. Anúbis tinha seu centro de culto em Cinópolis, cidade do Alto Egito e recebia títulos exóticos como, por exemplo, morador na câmara de embalsamamento, governador da sala do deus ou senhor das colinas do oeste.
O DEFUNTO, TRAJANDO UM VESTIDO DE LINHO, era introduzido por Anúbis no grande recinto onde o julgamento seria realizado. Saudava, então, a todos os deuses presentes. Depois, pronunciava uma longa declaração de inocência formada por frases negativas:
Não pratiquei pecados contra os homens.

Não maltratei os meus parentes.
Não obriguei ninguém a trabalhar além do que era legítimo.
Não deixei de pagar minhas dívidas.
Não insultei os deuses.
Não fui a causa dos maltratos de um senhor ao seu escravo.
Não pratiquei enganos com o peso da minha balança.
Não causei a fome de ninguém.
Não fiz ninguém chorar.
Não matei ninguém.
Não pratiquei fraudes na medição dos campos.
Não subtrai o leite da boca das crianças.

E assim por diante, alegando que tinha vivido sempre à altura dos padrões de conduta impostos pelos homens e pelos deuses.

ENQUANTO O MORTO FAZIA SUA DECLARAÇÃO, Anúbis ajoelhava-se junto a uma grande balança colocada no meio do salão e ajustava o fiel com uma das mãos, ao mesmo tempo em que segurava o prato direito com a outra. O coração do finado era colocado num dos pratos e, no outro, uma pena, símbolo de Maat, a deusa verdade. O coração humano era considerado pelos egípcios a sede da consciência.
A figura acima, de um papiro do Livro dos Mortos da XVIII dinastia, conservado no Museu de Turim, ilustra bem essa cena. Aqui podemos ver Anúbis pesando o coração de uma sacerdotisa. O órgão foi posto no prato da esquerda, enquanto que no prato da direita está uma figura que representa a verdade. No alto da balança o deus Thoth, tendo a aparência de um babuíno, anota o resultado. Também podemos ver uma mesa com oferenda de um quarto de carne.

É CLARO QUE SEMPRE HAVIA A POSSIBILIDADE, ainda que remota, do coração desmentir o seu dono e falar mal dele. Contra tal perigo foi composta a invocação que se lê no Capítulo XXX do Livro dos Mortos:
Ó meu coração, minha mãe; ó meu coração, minha mãe! Ó meu coração de minha existência sobre a terra. Nada se erga em oposição a mim no julgamento perante os senhores do tribunal; não se diga de mim nem do que eu tenho feito, "Ele praticou atos contra o justo e o verdadeiro"; nada se volte contra mim na presença do grande deus, senhor de Amentet. Homenagem a ti, ó meu coração! Homenagem a ti, ó meu coração! Homenagem a vós, ó meus rins! Homenagem a vós, ó deuses que assistis nas divinas nuvens, e sois exaltados (ou sagrados) graças aos vossos cetros! Falai [por mim] coisas justas a Rá, e fazei que eu prospere diante de Neebca. E contemplai-me, ainda que eu esteja preso à terra nas suas partes mais íntimas, consenti que eu permaneça sobre ela e não me deixeis morrer em Amentet, mas me torne uma Alma Imortal dentro dela.
 
ASSIM, AO SER PESADO O coração contra a verdade, verificava-se a exatidâo dos protestos de inocência do defunto. Como as negativas vinham de seus próprios lábios, ele seria julgado pelo confronto com o seu próprio coração na balança. Se este se igualasse com a verdade, tudo correria bem e o defunto seria bem-vindo no além-túmulo; caso contrário, o morto estaria cheio de pecados e, então, seria comido por um terrível monstro:Ammut, o devorador dos mortos, visto aqui em um detalhe do papiro do Livro dos Mortos do escriba Ani. 
Felizmente, os papiros sugerem que o morto em juízo era sempre absolvido. 
O tal monstro devia passar fome.
A CABEÇA DO CHACAL também era personificação de Duamutef, um dos quatro filhos de Hórus. Como tal aparecia na tampa do vaso canopo que abrigava o estômago do morto. Uma delas pode ser vista abaixo. É da época raméssida, de proveniência desconhecida, confeccionada em faiança egípcia, tem 17 cm de altura por 16 cm de largura e pertence ao acervo do Museu do Louvre.
A egiptóloga Elisabeth Delange assim a descreve:A técnica sofisticada da faiança apresenta com realismo a pele preta brilhante do cão, com focinho alongado, com orelhas em pé, com uma peruca azul-marinho adornada com a fita vermelha ao redor do pescoço. Esta é a iconografia do cão selvagem que ronda os limites do deserto, o guardião do cemitério, o deus Anúbis, "Senhor-da-Necrópole". Anúbis, o patrono dos embalsamadores, é aquele que acompanha a alma do morto em sua última morada, usando uma peruca humana de mechas regulares, como nesta tampa. 
A assimilação se tornou clássica entre os dois cães funerários, Anúbis e Duamutef, ligados ambos à mumificação.
CADA COR ERA DOTADA de um valor simbólico , pois o cão lobo errante do Egito raramente era preto. Esta cor escura evoca de maneira simbólica a terra arável depositada pela inundação, anunciadora da vida e da fecundidade. E pela consequência de toda gestação, por um renascimento. O betume e as resinas escuras de acácia que entravam na composição dos produtos de mumificação, serviam também como revestimento protetor do sarcófagos, aromatizavam as estátuas dos deuses da fertilidade, e ainda podiam recobrir de forma benéfica as estátuas de culto.
HÓRUS - ANÚBIS
O coração para os egípcios era considerado como fonte da memória e do intelecto e era usado no julgamento de Osíris, onde Anúbis pesava o coração do morto com a pena de um avestruz, caso o coração fosse mais pesado não era considerado puro e era levado para a destruição através da deusa Sekhmet.Após, retiravam o cérebro pelas narinas com um instrumento e um líquido que o dissolvia.
Então o corpo, livre de toda a parte interior, de fácil apodrecimento, torna-se um mera casca. E é então mergulhado em uma substância, provavelmente o natrão, usado para a conservação da pele e da carne. Funcionaria, em termo de comparação, ao sal grosso, usado em carnes que ficam ao sol para secar, é essa a idéia, mas com substâncias muito mais complexas desenvolvidas pelos egípcios e que os cientistas ainda hoje tentam descobrir quais seriam. Então o corpo fica neste líquido por uns 60 dias. Sendo seu corpo preenchido com linho e por volta de 300 amuletos que se espalham por todo seu corpo para a proteção divina, em seu interior. Misturando-se perfumes e incenso.
Após esse ritual vem o sepultamento em si. Para o faraó é o seu maior momento, de toda a sua glória. Ele passou sua vida erigindo o templo de sua morada pós-vida, que servirá como uma ponte a sua escalada rumo aos céus. Graças à subida do faraó o povo também era salvo. É esta a razão dos maiores monumentos da antiguidade que ainda hoje vivem, a única das sete maravilhas originais que continua em pé, as Pirâmides
MUSEU DE LOUVRE


Um comentário:

  1. Adorei a postagem. Sou louca pelas histórias e mistérios egípcios <3

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