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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OS SEGREDOS DAS PIRÂMIDES DO EGITO

  Queóps: uma das mais importantes pirâmides do Egito Antigo
Elas foram construídas  há mais de 2500 anos e resistem até hoje. Cercadas de mistérios, despertam interesse de historiadores, arqueólogos e estudiosos de civilizações antigas. Como resistiram a tantos séculos? 
Que segredos guardavam dentro delas? 
Qual função religiosa exerciam na sociedade?
Conhecendo as pirâmides 
A religião do Egito Antigo era politeísta, pois os egípcios acreditavam em vários deuses. Acreditavam também na vida após a morte e, portanto, conservar o corpo e os pertences para a outra vida era uma preocupação. 
Mas somente os faraós e alguns sacerdotes tinham condições econômicas de criarem sistemas de preservação do corpo, através do processo de mumificação. 
A pirâmide tinha a função abrigar e proteger o corpo do faraó mumificado e seus pertences (jóias, objetos pessoais e outros bens materiais) dos saqueadores de túmulos. Logo, estas construções tinham de ser bem resistentes, protegidas e de difícil acesso. Os engenheiros, que deviam guardar os segredos de construção das pirâmides, planejavam armadilhas e acessos falsos dentro das contruções. 
Tudo era pensado para que o corpo mumificado do faraó e seus pertences não fossem acessados.
As pirâmides foram construídas numa época em que os faraós exerciam máximo poder político, social e econômico no Egito Antigo. 
 
Quanto maior a pirâmide, maior seu poder e glória. Por isso, os faraós se preocupavam com a grandeza destas construções. Com mão-de-obra escrava, milhares muitas vezes, elas eram construídas com blocos de pedras que chegavam a pesar até duas toneladas. Para serem finalizadas, demoravam, muitas vezes, mais de 20 anos. Desta forma, ainda em vida, o faraó começava a planejar e executar a construção da pirâmide.
A matemática foi muito empregada na construção das pirâmides. Conhecedores desta ciência, os arquitetos planejavam as construções de forma a obter o máximo de perfeição possível. As pedras eram cortadas e encaixadas de forma perfeita. Seus quatro lados eram desenhados e construídos de forma simétrica, fatores que explicam a preservação delas até os dias atuais.
Ao encontrarem as pirâmides, muitas delas intactas, os arqueólogos se depararam com muitas informações do Egito Antigo.
 Elas possuem inscrições hieroglíficas, contando a vida do faraó ou trazendo orações para que os deuses soubessem dos feitos realizados pelo governante. 
Acreditava-se, no Egito antigo, que o resguardo do corpo dos faraós na pirâmides asseguraria a eles a vida eterna. Nas pirâmides, havia a câmara destinada ao sepultamento do faraó, e outra destinada à sua rainha
Os corpos dos faraós eram embalsamados, pois desejava-se conservar a integridade física dos reis para a eternidade. Ainda os corpos eram encerrados em câmaras especiais, e as pirâmides eram hermeticamente fechadas.
Não se sabe ao certo quais os motivos que levavam os egípcios à construção das tumbas dos faraós de acordo com a forma especificamente piramidal.
 Há explicações que dizem que a forma das pirâmides poderia significar uma ascensão do faraó para junto dos deuses, como se pode depreender do formato das primeiras pirâmides construídas (em degraus, como uma escada para os céus) ou ainda poderia significar a representação dos raios solares que se dirigiam à figura iluminada do monarca. 
Porém, todas estas hipóteses residem apenas no campo das especulações, pois não há nenhum indício documental dos motivos pelos quais as pirâmides eram construídas dessa forma.
Os faraós eram tomados como deuses na Terra. 
Eles detinham os poderes de julgamento de infratores, lideravam também os exércitos, além de controlar todas as riquezas de seus domínios. Deste modo, o faraó dispunha de uma grande prestígio, constituindo um verdadeiro impulso na construção das pirâmides.
 Por exemplo, os trabalhadores que transportavam os grandes blocos de pedra das pirâmides não eram escravos, mas sim agricultores que, ajudando o faraó, pensavam obter sua proteção divina quando este chegasse ao outro mundo.
A primeira pirâmide, tendo sido provavelmente a primeira construção de pedra nessas proporções, foi encomendada pelo faraó Djoser, por volta de 2680 a. C. 
O responsável pelo projeto da pirâmide foi Imhotep, que se tornou historicamente mais famoso que o próprio faraó. A pirâmide projetada por Imhotep possuía seis níveis, ou degraus.
 Os faraós que se seguiram a Djoser também construíram pirâmides segundo o padrão do modelo de Imhotep. As pirâmides de faces planas só apareceram após o reinado de Sherafu (2575-2551 a. C. ). Nota-se, a partir da construção destas pirâmides, o grande avanço de engenharia de construção do Egito, muito à frente de seu tempo. 
A dificuldade de transporte dos enormes blocos de pedra empregados na construção das pirâmides foi superada por técnicas bastante avançadas naquele estágio tecnológico em que o Egito se encontrava.

AS PIRÂMIDES DE GIZA
As maiores pirâmides construídas foram as de Giza , erguidas por volta do ano de 2550 a. C. 
A maior delas é a pirâmide do faraó Khufu (Quéops), de altura máxima de 147 metros, e comprimento lateral da base de 230 metros. Cerca de 2.300.000 blocos de pedra foram empregados na sua construção. O interior da pirâmide de Khufu (Quéops) possui uma impressionante rede de passagens, galerias e câmaras secretas. As pirâmides são monumentos documentários da grandeza da civilização egípcia antiga, tendo resistido ao tempo e às condições climáticas do deserto.
 Diz um provérbio árabe que "o tempo ri de tudo: mas as pirâmides riem do tempo"

As Câmaras Ocultas nas Pirâmides
É uma possibilidade excitante que um dia se possa encontrar uma câmara oculta que nos revele informações sobre nosso passado das quais nem suspeitamos. 
Por isso, vários outros pesquisadores estão procurando meios de descobrir câmaras escondidas e passagens secretas nas grandes pirâmides de Gizé. 
Dois egiptólogos amadores franceses estão entre eles. Gilles Dormion, um arquiteto, e Jean-Yves Verd´hurt, um corretor de imóveis aposentado, usando análise arquitetônica e um georadar, ou seja, um radar capaz de penetrar em objetos sólidos, em 2004, ano em que publicaram um livro, concluíram que deve existir uma câmara por baixo da câmara da rainha na Grande Pirâmide.
 Eles pensam que provavelmente essa seria a verdadeira câmara funerária de Kéops, a qual poderia conter artefatos que excederiam em riqueza aos da tumba de Tutankhamon. 
Se tal cômodo realmente existir, é pouco provável que tenha sido violado e poderia conter também a múmia do rei. Para confirmar ou não a hipótese, bastaria fazer mais alguns buracos no maior monumento egípcio. O problema é que os dois pesquisadores não obtiveram permissão das autoridades egípcias para continuar os estudos e provar essa tese.

Gilles Dormione e Jean-Yves Verd

Jean-Pierre Corteggiani
Um respeitado egiptólogo, Jean-Pierre Corteggiani, do Instituto Francês de Arqueologia Oriental no Cairo, disse ter ficado impressionado pelo fato de que as imagens do georadar foram coletadas e interpretadas por um técnico de uma empresa francesa especializada nesse tipo de equipamento.
 Tal perito trabalha para uma companhia que teve como um de seus principais projetos estabelecer a rota do trem expresso que liga Paris a Estrasburgo.
 Isso significa que para dizer que é seguro colocar os trilhos em determinado lugar, porque não há nenhuma cavidade sob o solo, ele precisa estar absolutamente certo, caso contrário o perigo de desastre seria imenso. 


Corteggiani também se mostrou intrigado pela localização sugerida para a nova câmara: debaixo da assim chamada câmara da rainha, mas um pouco mais a oeste. Isso a colocaria na interseção das diagonais e exatamente no coração da pirâmide, o que para Kéops teria, provavelmente, forte conotação simbólica como local de descanso.

Aidan Dodson
Outro egiptólogo, Aidan Dodson, perito em arqueologia funerária egípcia, por outro lado, afirmou: Acho implausível a idéia de que a câmara funerária de Kéops ainda esteja para ser achada na pirâmide. Arquitetonicamente não há nenhuma razão pela qual devesse existir um corredor debaixo da câmara da rainha. A câmara funerária sempre foi conhecida. Os autores da possível descoberta argumentam que a pirâmide evoluiu por tentativa e erro. 
Na medida em que os arquitetos percebiam que os aposentos inicialmente concebidos como câmaras funerárias não suportariam o peso colocado acima deles, voltavam para a mesa de desenho. Sobre a câmara do rei o telhado é reforçado com vigas de granito, formando um sistema engenhoso para aliviar a pressão sobre o aposento. Entretanto, as vigas racharam, o que se atribuiu tradicionalmente a atividade sísmica ocorrida depois que o monumento foi completado. Gilles Dormion acredita, porém, que o acidente aconteceu durante a construção da pirâmide. 
Em síntese, segundo ele, quando Kéops morreu havia três câmaras funerárias construídas. 
A primeira, no sub-solo, permanecia inacabada, a segunda estava disponível e a terceira apresentava problemas de rachadura em seu teto. Kéops foi, então, enterrado na segunda. 
Ou melhor dizendo, embaixo da segunda, porque a câmara da rainha em si não estava equipada para receber o corpo de um faraó, faltando, principalmente, uma entrada suficientemente larga para acomodar o sarcófago de pedra.
Dormion vem trabalhando nas pirâmides do Egito há mais de 20 anos e, baseado em análises de radar feitas por ele e por Verd'hurt na pirâmide de Meidum, realizadas em 2000, descobriu duas câmaras anteriormente desconhecidas naquele monumento.
 Em época bem anterior, em março de 1985, ele e Jean Patrice Goidin, um arquiteto, haviam visitado a Grande Pirâmide e feito observações visuais que os levaram a suspeitar da existência de um sistema oculto de passagens e câmaras. Eles teorizaram originalmente que o sistema que nós vemos hoje é de fato um estratagema para enganar os ladrões de tumba, e que a real câmara funerária de Kéops estaria ao lado dos compartimentos que formam o teto da câmara do rei. Um dos indícios está na disposição dos blocos que formam o teto da grande galeria.
 Por serem paralelos à inclinação da galeria, se constituem em um dispositivo anti-deslizamento que libera de pressões a parede norte. Isso, entretanto, seria desnecessário se tal parede fosse maciça. Naquela ocasião eles também observaram que as paredes da passagem horizontal que conduz à câmara da rainha apresentam blocos de pedra que foram dispostos de uma maneira diferente da de outros blocos do monumento. 
Eles chamaram a atenção para o fato de que ali os blocos foram postos uns em cima dos outros de forma que as juntas formam um padrão em cruz, completamente diferente do arranjo em qualquer outra passagem do monumento. 
A visão deles era a de que a parede pudesse esconder um compartimento, possivelmente contendo o equipamento funerário do faraó.

Em 1986 os dois homens voltaram ao Egito e começaram uma pesquisa dentro da Grande Pirâmide empregando a microgravimetria, um conjunto de métodos e técnicas de medida da aceleração da gravidade da Terra, que permite calcular a densidade dos materiais. 
Nos compartimentos do teto da câmara do rei os testes não foram conclusivos, embora eles tenham detectado alguma espécie de anomalia. 
Outras leituras parecem ter indicado a existência de uma cavidade atrás da parede ocidental da passagem da câmara da rainha, exatamente como eles haviam previsto anteriormente.
 Dormion teve permissão para perfurar três pequenos buracos na parede. 
Os dois primeiros revelaram apenas vários blocos de pedra separados por argamassa.
 O último buraco atingiu uma profundidade de 2 metros e 65 centímetros e revelou uma cavidade com cerca de 40 centímetros de comprimento cheia de areia cristalina muito fina, formada por mais de 99% de quartzo, cuja origem não podia ser eólica nem causada pela erosão do monumento.
 Embora a investigação tivesse revelado praticamente nada, era prevista a volta da equipe em 1987 para realização de pesquisas mais sofisticadas. 
Entretanto, antes de que eles pudessem fazê-lo, em janeiro de 1987, uma equipe japonêsa da Universidade de Waseda, sob a direção de Sakuji Yoshimura, assumiu a continuação dos trabalhos.

Sakuji Yoshimura
Com o uso de equipamento de GPR - Ground Penetrating Radar, ou seja, um equipamento de radar que penetra no sub-solo, os japoneses inspecionaram o piso e as paredes da câmara da rainha, no esquema ao lado representada num corte vertical, e detectaram a presença de uma cavidade por trás da parede norte a uma distância de cerca de três metros. 
Ela teria 30 metros de comprimento por um metro de largura e um metro e meio de altura. A seguir examinaram essa cavidade inspecionando toda a extensão da sua parede ocidental e concluíram que ela talvez seja uma passagem oculta que corre paralelamente ao corredor horizontal que conduz à câmara da rainha, o qual também vemos no esquema acima. 
Conforme o relatório dos pesquisadores, essa espécie de corredor encontrado por eles começa num ponto que fica a uma distância da parede norte da câmara da rainha correspondente à largura de apenas um bloco de pedra e parece terminar em um ponto aproximadamente 30 metros ao norte da câmara. Nesse local, atingindo o ponto onde se encontra a grande galeria, a passagem deve terminar ou virar para oeste em ângulo reto.
Os pesquisadores franceses sugeriram que esse corredor deve conduzir a um compartimento oculto no ventre da pirâmide e que talvez esteja aí a verdadeira câmara funerária.
Dormion e sua equipe acreditam que nenhuma das três câmaras existentes na Grande Pirâmide está qualificada para ser uma câmara funerária real. Muitos arqueólogos pensam o mesmo com relação à câmara da rainha e à câmara subterrânea. 
Os franceses, porém, vão além ao sugerir que a câmara do rei, tida pela maioria dos egiptólogos como, pelo menos, o lugar do descanso inicial do rei, também não pode ter sido uma câmara funerária porque não é bastante forte para isso. 
A prova está nas profundas rachaduras dos volumosos blocos de granito que formam o teto do compartimento. A verdade é que vários peritos acreditam que tais rachaduras podem ter surgido até mesmo antes da pirâmide ter sido colocada em uso, o que impediria seu emprego final como câmara mortuária, embora a maioria acredite que foi construída com aquele propósito em mente. 
Por fim, até mesmo aqueles que acreditam que a câmara nunca foi posta em uso, também acreditam que Kéops deve ter sido enterrado em outro lugar, e não em uma câmara escondida na própria pirâmide.
A equipe japonesa também pensa ter descoberto o que parece ser uma cavidade cerca de um metro e 50 centímetros abaixo do piso da passagem horizontal que liga a grande galeria com a câmara da rainha. Eles acreditam que esta cavidade pode ter até três metros de profundidade e que deva estar, provavelmente, totalmente cheia com areia. Essa areia deu motivo a muita discussão. 
Surgiram até rumores de que seria radioativa.
Embora não fosse verdade, quando os técnicos examinaram a areia e compararam-na com amostras de areia de Gizé e de Saqqara, descobriram que era bastante diferente das amostras. Aparentemente a areia foi trazida de longe. 
Embora os egiptólogos acreditem que os construtores da Grande Pirâmide possam ter usado cavidades cheias de areia para servirem de pára-choques aos efeitos dos terremotos, isto não explica porque não foi usada a areia do próprio local. Em outra série de medições, os japoneses localizaram próximo da câmara subterrânea do monumento um provável aposento com dois metros de altura, situado cerca de três metros atrás da zona oeste da parede norte da referida câmara. 
Nenhuma pesquisa adicional foi feita até agora para investigar melhor os achados de Dormion e Yoshimura.

Em outubro de 1992, um engenheiro francês, Jean Kerisel, chefiou uma equipe que usou métodos não destrutivos para inspecionar a área ao redor da câmara subterrânea da pirâmide de Kéops. Essa pesquisa estava baseada em teorias que levam em conta o relato de Heródoto, que se refere à existência de um canal por sob o monumento, e a evidência arqueológica da existência desse canal fora do planalto de Gizé.

 Ele começou seu trabalho considerando o nível da água debaixo da Grande Pirâmide. Usou uma combinação de cálculos originalmente feitos por Vyse e Perring, pesquisadores britânicos que, em 1836 e 1837, cavaram um poço vertical fora da câmara subterrânea com profundidade de 11 metros. Embora acreditasse que o poço de Vyse fosse bastante profundo para alcançar o nível provável de um canal, Kerisel achava que poderia ter sido cavado no lugar errado. 
Após pesquisar com GPR, o francês confirmou a provável existência do aposento percebido pela equipe de Yoshimura e ainda informou ter detectado — por baixo do piso do corredor horizontal que leva à câmara subterrânea — uma estrutura que poderia ser o teto de um novo corredor. Ele estaria localizado no ponto exato no qual o corredor descendente o atingiria, caso tivesse sido extendido até lá. Esse novo corredor teria cerca de um metro e 60 centímetros de altura, cruzaria o corredor horizontal num ângulo de 45 graus aproximadamente, elevar-se-ia ligeiramente em seu trajeto, parecendo dirigir-se diretamente para a esfinfe.
Quando chegou dezembro de 1992 a equipe usou microgravimetria e informou que no ponto onde o radar havia descoberto uma espécie de passagem, o micro-gravímetro nada detectou, o que indicava que o pretenso corredor estava obstruído por dentro. Por outro lado, no corredor horizontal foi detectada uma anomalia local muito clara de uma falha na alvenaria no lado ocidental, cerca de seis metros antes da entrada para a câmara. Isso corresponderia, conforme os cálculos, a um poço vertical com pelo menos cinco metros de profundidade, de seção quadrada, com lados de cerca de um metro e 40 centímetros, junto da parede ocidental do corredor. Kerisel concluiu sua pesquisa afirmando que a passagem descoberta pelo GPR poderia ser simplesmente uma zona de calcário argiloso, do mesmo tipo dos estratos existentes na cabeça da esfinge, mas com a excepcional característica de ser bastante grossa. 
Quanto ao micro-gravímetro, poderia ter descoberto um volume considerável de dissolução da pedra calcária através da água subterrânea, ou seja, um tipo de gruta profunda, acidente geológico possivel de existir. Embora tenha desejado realizar escavações para investigar melhor suas descobertas, o engenheiro nunca as fez.
Foi também em 1992 que Rudolf Gantenbrink, um engenheiro alemão especializado em robótica, empregando um robô que ele mesmo projetou e construiu, iniciou a exploração do interior dos dois condutos que, a partir da câmara do rei, penetram no interior do monumento. 
Em março de 1993, Gantenbrink explorou o conduto do lado sul da câmara da rainha, quando então encontrou a famosa "porta" que o bloqueia. Foi somente em setembro de 2002 que um novo equipamento conseguiu "espiar" para além dessa "porta", encontrando uma pequena câmara com 17 cm de comprimento bloqueada por outra pedra de aspecto rústico. 
Na mesma ocasião foi explorado o conduto do lado norte da câmara da rainha e uma porta semelhante surgiu. 
Com o uso de equipamento de GPR - Ground Penetrating Radar, ou seja, um equipamento de radar que penetra no sub-solo, os japoneses inspecionaram o piso e as paredes da câmara da rainha, no esquema ao lado representada num corte vertical, e detectaram a presença de uma cavidade por trás da parede norte a uma distância de cerca de três metros. Ela teria 30 metros de comprimento por um metro de largura e um metro e meio de altura. 
A seguir examinaram essa cavidade inspecionando toda a extensão da sua parede ocidental e concluíram que ela talvez seja uma passagem oculta que corre paralelamente ao corredor horizontal que conduz à câmara da rainha, o qual também vemos no esquema acima. Conforme o relatório dos pesquisadores, essa espécie de corredor encontrado por eles começa num ponto que fica a uma distância da parede norte da câmara da rainha correspondente à largura de apenas um bloco de pedra e parece terminar em um ponto aproximadamente 30 metros ao norte da câmara. Nesse local, atingindo o ponto onde se encontra a grande galeria, a passagem deve terminar ou virar para oeste em ângulo reto. Os pesquisadores franceses sugeriram que esse corredor deve conduzir a um compartimento oculto no ventre da pirâmide e que talvez esteja aí a verdadeira câmara funerária.
Dormion e sua equipe acreditam que nenhuma das três câmaras existentes na Grande Pirâmide está qualificada para ser uma câmara funerária real. 
Muitos arqueólogos pensam o mesmo com relação à câmara da rainha e à câmara subterrânea. 
Os franceses, porém, vão além ao sugerir que a câmara do rei, tida pela maioria dos egiptólogos como, pelo menos, o lugar do descanso inicial do rei, também não pode ter sido uma câmara funerária porque não é bastante forte para isso. 
A prova está nas profundas rachaduras dos volumosos blocos de granito que formam o teto do compartimento. 
A verdade é que vários peritos acreditam que tais rachaduras podem ter surgido até mesmo antes da pirâmide ter sido colocada em uso, o que impediria seu emprego final como câmara mortuária, embora a maioria acredite que foi construída com aquele propósito em mente. 
Por fim, até mesmo aqueles que acreditam que a câmara nunca foi posta em uso, também acreditam que Kéops deve ter sido enterrado em outro lugar, e não em uma câmara escondida na própria pirâmide.

A ESFINGE
Decifra-me ou te devoro". Esse era o desafio da Esfinge de Tebas. Ela eliminava aqueles que se mostrassem incapazes de responder a um enigma: "Que criatura tem quatro pés de manhã, dois ao meio-dia e três à tarde?". Todos os que ensaiaram a resposta haviam sido estrangulados. Édipo acertou: "É o ser humano! Engatinha quando bebê, anda sobre dois pés quando adulto e recorre a uma bengala na velhice". A Grécia traz hoje um novo enigma. 

A grande esfinge está situada na borda do planalto de Gizé, ao sul do complexo da Grande Pirâmide e perto do templo do vale da pirâmide de Kéfren (c. 2520 a 2494 a.C.), o qual fica à sua direita e que originalmente ficava junto ao rio Nilo.
 Existe ainda o assim chamado templo da esfinge, uma estrutura retangular que fica situada diretamente à frente das patas dianteiras. 
A figura, vista acima em excelente foto cujo copyright é de Jon Bodsworth, não está postada no topo do planalto, mas encontra-se no centro do que parece ser o que restou de uma antiga pedreira. Apenas sua cabeça e um pouco da parte superior de suas costas se projeta acima da elevação geral do planalto que a circunda. 
O corpo da esfinge está postado num eixo leste/oeste e para esculpi-lo os operários escavaram um fosso ao seu redor, de tal maneira que hoje ela se encontra em uma depressão. A área livre ao seu redor estreita-se um pouco na extremidade oeste posterior. 
Há uma elevação inacabada junto à parede traseira oeste ligeiramente acima do resto do piso da área que circunda a esfinge. 
As pedras calcárias retiradas do local para criar a forma do corpo foram usadas para construir o templo da esfinge e o templo do vale, os quais a seguir foram revestidos com granito vindo de Assuão. A enorme figura é formada por um outeiro rochoso de pedra calcária que não fora usado pelos construtores da pirâmide de Kéops (c. 2551 a 2528 a.C.) na sua busca pela pedra necessária à edificação do monumento e que, na época de Kéfren, foi transformado em um imenso leão deitado com cabeça humana. 
O templo do vale de Kéfren se liga a uma calçada que vai no sentido oeste/noroeste até sua pirâmide. A calçada corre acima e ao longo da parede sul do muro que cerca a esfinge. 
O templo mortuário de Kéfren situa-se a leste da pirâmide deste faraó no planalto superior, atrás da esfinge.
A cabeça, voltada para o nascente, e a parte anterior do corpo foram cinzeladas na rocha viva, completando-se o corpo e as patas com tijolos. Supõe-se que tenha sido revestida de uma camada de gesso e pintada. Seu comprimento é de 73 metros e 15 centímetros, sua altura de 20 metros e 12 centímetros e a largura máxima da face é de quatro metros e 17 centímetros. 
Só a boca mede dois metros e 30 centímetros, enquanto que o comprimento do nariz pode ser calculado em, aproximadamente, um metro e 70 centímetros e o das orelhas é de um metro e 32 centímetros. Na cabeça traz um toucado real. 
Quase nada resta atualmente da serpente Uraeus na testa e da barba no queixo, que eram outros símbolos da realeza do faraó. 
Pensam os arqueólogos que a face representa o rei Kéfren e que tanto a esfinge quanto os dois templos citados foram erguidos por ordem dele. Uma imagem, também provavelmente desse faraó, foi esculpida no peito, mas pouquíssimo resta dela.
 Em diferentes épocas do passado, blocos pequenos ou grandes de pedra calcária foram aplicados para proteger ou revestir partes da figura, principalmente nas partes mais baixas do monumento.
Entre as patas estendidas do leão, existe uma grande laje de granito vermelho contendo uma inscrição que registra um sonho tido por Tutmósis IV (c. 1401 a 1391 a.C.), faraó da XVIII dinastia (c. 1550 a 1307 a.C.), antes de ascender ao trono. 
Conta ela que certa vez, ao caçar, o príncipe resolveu descansar do forte calor do meio-dia à sombra do monumento e adormeceu. Na época a esfinge era idenfificada com o deus-Sol Harmakhis e este apareceu em sonho ao príncipe e lhe prometeu entregar a Coroa Dupla do Egito se o rapaz mandasse retirar a areia que havia quase que totalmente coberto o corpo da esfinge. Embora a inscrição esteja grandemente danificada em sua parte final, pode-se deduzir que Tutmósis IV realizou o que lhe foi pedido e, em recompensa, tornou-se faraó.  
A palavra egípcia que designava a esfinge era shesep-ankh, que significa imagem viva, e que os gregos traduziram erroneamente por sphigx, que significa atar, ligar, uma vez que a esfinge é composta por um elemento animal e outro humano ligados entre si. Durante a XVIII dinastia ela foi chamada de Hórus no Horizonte e Hórus da Necrópole.

Na mitologia egípcia  nos esclarece I.E.S.Edwards — o leão frequentemente figura como o guardião dos lugares sagrados.
 Como ou quando essa concepção surgiu primeiro não se sabe, mas provavelmente data da mais remota antiguidade. 
Como tantas outras crenças primitivas, foi incorporada pelos sacerdotes de Heliópolis ao seu credo solar, sendo o leão considerado como guardião dos portões do mundo subterrâneo nos horizontes leste e oeste. 
Na forma de esfinge, o leão retém a função de sentinela, mas lhe são dadas as características humanas do deus-Sol Atum. Uma inscrição, que data de um período consideravelmente posterior ao tempo de Kéfren, põe as seguintes palavras na boca da esfinge:
Eu protejo a capela do teu túmulo. Eu guardo tua câmara mortuária. Eu mantenho afastado os intrusos. Eu jogo os inimigos no chão e suas armas com eles. Eu expulso o perverso da capela do sepulcro. Eu destruo os teus adversários em seus esconderijos, bloqueando-os para que não possam mais sair.
Uma possível razão para a identificação das características do deus-Sol com aquelas do rei morto pode ser a crença heliopolitana de que o rei, após a sua morte, realmente torna-se o deus-Sol. A esfinge gigante representaria, assim, Kéfren como o deus-Sol atuando como guardião da necrópole de Gizé.
Câmaras Ocultas na Esfinge
Assim como a possibilidade de existirem câmaras ocultas na pirâmide de Keops instiga a mente de pesquisadores, escritores, teóricos, místicos e do público em geral, o mesmo acontece com relação ao que poderia existir por baixo, dentro ou ao redor da esfinge de Gizé. Há muito tempo se especula que devem existir túneis por sob a esfinge ligando-a com a Grande Pirâmide e com recintos nos quais estariam depositados segredos milenares.
 O indício mais antigo que se tem da existência de eventuais construções por sob a esfinge está estampado na estela que Tutmósis IV (c. 1401 a 1391 a.C.) mandou fixar na frente do monumento e que vemos acima numa foto do Canadian Museum of Civilization Corporation (CMCC). 
Ela conta que um dia, antes de subir ao trono, o futuro faraó, ao adormecer à sombra da esfinge depois de uma caçada, sonhou que a mesma lhe aparecia e pedia que removesse a areia que naquela época quase que a cobria inteiramente. 
O que nos interessa no momento não é essa história propriamente dita, mas os relevos feitos no granito. Neles o faraó aparece fazendo oferendas diante da esfinge que, por sua vez, se apresenta assentada sobre uma construção complexa. Tradicionalmente os arqueólogos têm dito que o palácio gravado na estela é representação do templo que existe até hoje diante da esfinge. 
A argumentação contra esse entendimento é o fato de que a forma do edifício representado na estela é totalmente diferente do templo da esfinge. 
Além disso, as regras de perspectivas usadas pelos artistas egípcios fariam com que eles colocassem o templo diante da esfinge, como realmente ele está situado, e não abaixo dela.
 Então, torna-se possível que a construção representada na estela por sob a esfinge realmente exista no sub-solo.Plínio, o naturalista romano nascido em 23 da nossa era e autor de uma História Natural composta de 37 livros, referindo-se à esfinge afirmou que os egípcios encaravam-na como uma divindade e que eram de opinião de que havia um rei enterrado dentro dela. 

ESFINGE EM 1930
No século X da nossa época, cronistas árabes afirmaram que existem portas secretas na esfinge levando a salas com tesouros incalculáveis. Mais recentemente, na primeira metade do século XX, o místico Edgar Cayce afirmou que a Grande Esfinge era a guardiã do Salão dos Arquivos, ou pelo menos sua entrada, o qual continha os registros da história e da sabedoria da civilização perdida da Atlântida, trazidos para o Egito por seus sobreviventes. 
Segundo ele, a esfinge e as pirâmides teriam sido erguidas não pelos egípcios, mas por essa civilização muito mais antiga, por volta de 10500 anos antes de Cristo, e as informações a respeito disso seriam um dia encontradas no subsolo daquela região. Poderia tudo isso ser verdadeiro?
Entre 1925 e 1936 foram realizadas algumas das escavações mais antigas dos tempos modernos naquele monumento, administradas pelo engenheiro francês Emile Baraize por ordem do Serviço de Antiguidades do Egito. 
Durante esse período ele foi responsável por escavações da área que circunda a esfinge e removeu a areia que cobria não apenas essa área, mas a esfinge em si. A foto acima mostra como andavam os trabalhos em 1930. Além disso, construiu um muro de retenção para ajudar a manter o monumento livre da areia do deserto circunvizinho.
 Retirada a areia, ele percebeu que a esfinge estava muito dilapidada, crivada de grandes rachaduras e com muitos dos blocos usados nos reparos do período faraônico fora do lugar. 
Foi quando realizava os consertos necessários que ele descobriu duas entradas: uma localizada na anca, bem ao norte do centro, e a outra na esquerda, ou seja, no lado norte do monumento, a meio caminho entre as patas dianteiras e traseiras.
 Essa última entrada, partindo do nível do chão, conduzia a passagens subterrâneas que na realidade eram becos sem saída. Ele registrou essas descobertas em duas centenas de fotografias e selou as entradas com blocos de pedra e cimento.

A ENTRADA NA ANCA
 Baraize também encontrou um poço profundo no topo da cabeça da esfinge. O buraco, quadrado, media aproximadamente um metro e cinquenta centímetros de lado e quase um metro e oitenta centímetros de profundidade. Talvez fosse destinado à fixação de um adorno para a cabeça da esfinge.
Posteriormente todos esses achados foram praticamente esquecidos.
O assunto ficou adormecido até os anos 70 do século XX, quando várias restaurações e algumas pesquisas adicionais foram feitas na área da esfinge.
 Esse trabalho continuou por dez anos, mas já durante a parte inicial do projeto um antigo operário que fizera parte da equipe de Baraize informou a existência de uma passagem na anca, ou seja, na parte posterior do monumento, assinalada na foto ao lado pela seta. 
Ela foi investigada em 1980 pelos famosos egiptólogos Mark Lehner e Zahi Hawass. Eles informaram que a passagem, com pouco mais de um metro de largura e atingindo em alguns trechos um metro e oitenta centímetros de altura, subia e descia por uma extensão de cerca de nove metros, mas não conduzia a parte alguma e nada havia dentro dela de muito interesse.
 A segunda passagem encontrada por Baraize, no flanco norte, também foi investigada, mas novamente se constatou tratar-se de um beco sem saída e sua entrada acabou sendo lacrada. Ainda havia a terceira passagem achada por Baraize na parte superior da cabeça da esfinge, a qual também foi investigada com pouco resultado. 

MEDIÇÕES DE RESISTIVIDADE
Finalmente, um poço vertical desce através do corpo da esfinge a partir do topo da cintura. Trata-se, na realidade, do alargamento de uma grande fissura natural que corre através de todo o sítio da esfinge. Antes das restaurações modernas feitas no monumento, essa fenda se abria com mais de dois metros de largura ao longo do topo das costas do animal.
Em 1977 a equipe do físico Lambert Dolphin, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, realizou pesquisa usando tecnologia de medição de resistividade elétrica em frente às patas da Esfinge, como vemos na foto ao lado, ao longo de seus flancos e diagonalmente na anca à esquerda. Na figura abaixo as linhas pontuadas mostram os locais das várias medições feitas. 
Essa técnica, que era nova na época, envolve a passagem de uma corrente elétrica por eletrodos cravados na rocha. 
Como resultado foram observadas várias anomalias em quatro áreas. É bom esclarecer que as técnicas empregadas nesses projetos não revelam diretamente a existência de câmaras ou passagens. Elas apenas mostram anomalias. Uma anomalia é alguma coisa que foge do resultado padrão da técnica que está sendo empregada, seja ela qual for. A seguir essas tais anomalias devem ser interpretadas para serem consideradas construções artificiais, como câmaras e túneis, ou elementos naturais, como fissuras e cavidades da própria rocha. 
E mesmo nessa etapa o que existe é apenas uma interpretação dos dados e a confirmação ou não da hipótese só poderá ser obtida através de perfurações, as quais geralmente não são feitas. Atrás das patas traseiras da esfinge as pesquisas da equipe de Dolphin deram sinais de que ali pode haver um túnel alinhado no sentido que vai de noroeste, a direção da própria esfinge, para sudeste. 
Outra anomalia existe no centro do lateral sul do monumento e parece indicar a existência de um poço vertical. Há duas anomalias, também, em frente às patas dianteiras da Esfinge, sendo que uma delas sugere umacavidade ou poço que se estenderia até 10 metros de profundidade. Se tal cavidade realmente existir, estará provavelmente cheia com pedregulho. 
O relatório dos cientistas assim se expressa a respeito do que foi encontrado: As anomalias de resistividade que achamos ao redor da esfinge não estão suficientemente definidas para permitir quaisquer conclusões com absoluta certeza e achamos que uma pesquisa mais detalhada deveria ser realizada.
No ano seguinte, 1978, as pesquisas foram retomadas. O filho de Edgar Cayce injetou recursos financeiros no projeto e, desta vez, foram levados ao Egito equipamentos de perfuração, compressores de ar e instrumentos ópticos. Tornou-se possível perfurar e inserir câmeras de vídeo miniaturizadas para investigar qualquer anomalia. A equipe realizou uma série de medições acústicas e de resistividade ao redor da esfinge, sob ela, e na área do templo, tendo encontrado várias anomalias.
 Foram perfurados cinco buracos com quatro polegadas de diâmetro cada um, sendo que três deles no chão do templo. Um deles parecia promissor, mas quando a câmera foi introduzida tudo o que encontrou foi uma caverna natural. Os outros dois buracos foram perfurados no solo rochoso ao redor da esfinge, onde uma das anomalias maiores foi detectada perto da pata direita da figura. Tudo o que se achou, porém, foi uma rachadura pequena no leito de rocha.
 Dolphin afirmou: 
Concluímos que não há grandes câmaras, cavidades, espaços vazios ou mesmo preenchidos sob a esfinge, sob a plataforma em que ela se apóia ou sob seu templo. Minha impressão geral é de que toda a área da esfinge não apresenta nenhuma anomalia significativa, a não ser rachaduras secundárias aqui e ali. 
Em setembro de 1980 engenheiros do Ministério da Irrigação do Egito mediram a profundidade do lençol freático por sob a esfinge. Para isso posicionaram seus equipamentos de perfuração no meio de um campo de futebol a leste do monumento. 
Esperavam ter que penetrar cerca de seis metros e ficaram surpresos quando as brocas entraram pela areia para além de 15 metros de profundidade, quando bateram em alguma coisa sólida. Ficou provado que se tratava de granito vermelho, do mesmo tipo que pode ser visto na antecâmara da câmara do rei da Grande Pirâmide. Esse tipo de granito não é encontrado na área de Gizé e, da mesma maneira que o granito negro que reveste a câmara do rei, tem que ser trazido de Assuão, ou seja, de uma distância de mais de 800 quilômetros. 
A suspeita é de que exista alguma espécie de câmara subterrânea.
Os engenheiros também avaliam que o leiaute do espaço ocupado pelo granito sugere a existência de um antigo porto. Até hoje não foram executadas escavações nessa área.
Em 1987, uma expedição japonesa dirigida por Sakuji Yoshimura revelou a existência de quatro cavidades sob a esfinge. Radares eletromagnéticos localizaram duas cavidades com quatro metros de comprimento por dois de largura de ambos os lados do monumento, provavelmente ligadas entre si formando um túnel orientado na direção norte/sul. 
Uma terceira cavidade com um metro e meio de comprimento, um metro de largura e sete metros de profundidade existiria na altura da espádua direita e seu fundo seria constituído de um material mais duro que o calcário, talvez um metal. Uma última cavidade, menor, com cerca de três metros por um metro e cinquenta centímetros, se encontra sob as patas da esfinge e poderia conter qualquer coisa semelhante a um sarcófago. Segundo a interpretação de vários arqueólogos, as duas primeiras cavidades mencionadas situam-se no local em que existe uma fissura muito grande que corre ao longo de todo o corpo da esfinge.
 Ela se abre tanto no topo da cintura do animal que uma pessoa pode ser baixada por ela até atingir o nível do solo.

John Anthony West
 
Entre 1991 e 1993, John Anthony West, egiptólogo independente que acredita que a esfinge foi construída muitos séculos antes do que se pensa, o geólogo Robert M. Schoch, professor na Universidade de Boston e Thomas Dobecki, um geofísico texano, fizeram pesquisas no local usando técnicas sismográficas. Eles estavam em busca de evidências de erosão provocada na esfinge em virtude de aguaceiros e acreditam que as encontraram. 
Tal tipo de erosão indicaria que o monumento teria sido construído durante ou antes das chuvas que marcaram a transição da África setentrional da última Idade do Gelo para o atual regime árido, uma transição que ocorreu entre 10000 e 5000 anos antes de Cristo. 
Detectando eventuais estragos provocados pela infiltração de água de chuvas torrenciais na estrutura do monumento e em suas circunvizinhanças e avaliando a antiguidade de tais estragos, seria possível determinar a antiguidade do monumento em si.
 De acordo com West e Schoch, os dados recolhidos mostram que a esfinge não foi esculpida na época de Kéfren (c. 2520 a 2494 a.C.), mas apenas reparada e revestida de granito naquele período; agora, quem a construiu e quando ainda continua sendo uma questão em aberto. 
Os pesquisadores também acharam claras evidências de que, escondida na rocha a uns seis metros de profundidade, existiria uma cavidade subterrânea em frente da pata dianteira direita, em formato retangular, se estendendo por 12 metros de comprimento e nove de largura e tendo cinco metros de altura. 
A própria forma retangular, segundo eles, afasta a hipótese de se tratar de cavidade natural e enquanto Dobecki acha que ela parece ter sido construída pelo homem, West está convencido de que, em princípio, esse espaço pode ser o Salão dos Arquivos ao qual Cayce se referiu.
 Em 1993 as pesquisas desse grupo foram interrompidas, pois as autoridades egípcias não permitiram sua continuidade.
Em abril de 1996, as autoridades egípcias concederam licença para que uma nova equipe, financiada pela Schor Foundation de Nova York e com apoio acadêmico da Universidade Estadual da Flórida, levasse a cabo uma pesquisa com sismógrafos e radares ao redor da esfinge e em outras áreas do planalto de Gizé. A instituição novaiorquina é capitaneada pelo Dr. Joseph Schor, importante sócio da Edgar Cayce Foundation, uma entidade que mantém vivas as idéias de Cayce. 
O objetivo oficial das pesquisas era o de ajudar na preservação e restauração das pirâmides e da esfinge. O subsolo do planalto de Gizé foi vasculhado na busca de falhas e brechas que pudessem entrar em colapso e, assim, por em risco a estabilidade de toda a região. 
Criou-se uma grande controvércia na ocasião, porque Schor e o Dr. Joseph Jahoda, outro dos responsáveis pelos trabalhos, afirmaram que teriam sido localizadas câmaras e túneis na frente e na parte traseira da esfinge. O radar detectou o que parecia ser um túnel com aproximadamente dois metros de largura e a uns três metros abaixo da superfície. 
Ele emergiria da cauda da esfinge, direcionando-se para ocidente, passando por sob a calçada da pirâmide de Kéfren e indo em direção a esse monumento. Também afirmaram que haviam detectado uma grande cavidade construída pelo homem sob as patas da esfinge.

Edgar Cayce

 Ela teria paredes paralelas, cerca de 12 metros de comprimento por sete de largura e se localizaria a 10 metros de profundidade, exatamente no lugar que Edgar Cayce havia indicado.
 O radar apontou ainda a existência de um provável túnel que, a partir dessa cavidade, se dirige para cima, interrompendo-se a pouco menos de dois metros da superfície.
Em fevereiro de 1997, outro pesquisador, Boris Said, um produtor de documentários cinematográficos sobre o planalto de Gizé, entrou em um poço já conhecido existente por sob a calçada que ligava o templo do vale ao templo mortuário da pirâmide de Kéfren e, em seu interior, topou com a tampa de um sarcófago presa ao solo. 
ENTRADA DA TUMBA DE OSÍRIS
Como alguns textos antigos se referem ao uso desse material para esconder a entrada de algum túnel ou câmara secreta, ele decidiu investigar melhor. Usando os equipamentos de Thomas Dobecki, encontrou anomalias que pareciam indicar a existência de um novo túnel nesse local, ou seja, na área que fica atrás da esfinge. A cobertura, que na realidade seria a tampa do sarcófago, teria, aproximadamente, 45 centímetros de espessura e cerca de dois metros e meio abaixo dela haveria um espaço de dois metros e meio de largura, com teto abobadado e inclinação descendente de 25 graus na direção da esfinge. Assim, não estaria afastada a hipótese de que o túnel que sai da cauda da esfinge descoberto por Schor e este, pudessem se encontrar em algum ponto do caminho.
Os trabalhos da equipe do Dr. Schor prosseguiram em novembro de 1997, em fevereiro de 1998 e em setembro desse mesmo ano. Nessa última vez eles foram autorizados a perfurar um pequeno buraco para provar a existência de um eventual túnel no lado leste da Grande Pirâmide. Se isso provasse a existência do túnel, confirmando as leituras do radar, as autoridades egípcias permitiriam uma perfuração na esfinge. 
O pesquisador das pirâmides e escritor Robert G. Bauval visitou o Dr. Schor, em outubro de 1998, para conhecer o resultado do trabalho e os futuros planos da Schor Foundation. Conforme relatou do encontro, o entrevistado estava bastante limitado naquilo que podia tornar público em função do contrato firmado com as autoridades egípcias. Mesmo assim foi possível revelar que a perfuração não obteve sucesso. Apesar disso, Schor acreditava firmemente que as pesquisas feitas pelo radar ao redor da esfinge confirmavam a existência de uma rede subterrânea de túneis e câmaras.
Embora em 1999 tenha sido anunciada que seria concedida uma nova licença para a continuação das investigações, isso não ocorreu. 

 Zahi Hawass
O que ocorreu, em 1999, foi que o Dr. Zahi Hawass, o mais importante arqueólogo do Egito, responsável pela supervisão e controle de todas as escavações naquele país, anunciou a descoberta do que foi chamado de uma simbólica Tumba de Osiris, cuja entrada vemos na foto ao lado. Os blocos de pedra calcária vistos acima da entrada formam a lateral da calçada que ligava o templo do vale ao templo mortuário da pirâmide de Kéfren. Um programa de TV, levado ao ar no dia 02 de março daquele ano, revelou que, cerca de um ano antes, o Dr. Hawass havia descoberto uma câmara subterrânea no fundo de um longo poço situado não muito distante da esfinge. 
O poço era, na realidade, o mesmo que havia sido visitado por Boris Said, mas que agora havia sido explorado em maior profundidade. Ele desce até uma sala retangular em cujo lado oriental existe outro poço. Esse segundo poço desce até outra câmara que, por sua vez, tem um terceiro poço em seu lado leste que leva a uma salão com colunas, cheio de água.
O historiador Heródoto, comentando sobre os arredores da pirâmide de Kéops, fala de construções subterrâneas destinadas a servir de sepultura e realizadas numa ilha cortada por um canal e formada pelas águas do Nilo. O Dr. Hawass acha que Heródoto se referia àquela terceira câmara mais profunda, mas não acha que tenha sido o túmulo de Kéops. No segundo nível foi encontrada uma câmara sepulcral e mais seis salas laterais cavadas na rocha. Aí foram achados dois sarcófagos de granito vermelho, cerâmica, datada de 500 a.C., e ossos. Embora vários pontos tenham ficados obscuros no programa de TV, o que é bastante comum nesses casos, o fato é que as câmaras estão lá. 
Os autores do polêmico livro "Giza: The Truth" (Gizé: A Verdade), Chris Ogilvie-Herald e Ian Lawton, afirmaram queembora essa seja uma câmara incomum e talvez única, não há passagens secretas indo na direção das pirâmides, da esfinge ou de cidades subterrâneas.
O mistério continua, mas as pesquisas não param. Que surpresas o futuro nos reservará? 
Afinal, existirão ou não câmaras ocultas nas pirâmides e na esfinge?

Um comentário:

  1. Nossa eu sou facinado por isso! historias antigas e tenho varia teorias sobre a esfinge e as piramides! ah se eu fosse arqueologo!

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AGRADEÇO SUA VISITA.
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